Volatilidade do mercado deve crescer após 1º turno, diz especialista da Eleven

Volatilidade deve crescer após 1º turno, quando investidores terão mais dados para precificar segundo turno, diz head da Eleven.

Candidatos

O mercado financeiro brasileiro vive um clima de expectativa antes do primeiro turno das eleições presidenciais, mas a verdadeira turbulência deve ficar para depois da votação. A avaliação é de Fernando Siqueira, head de Research da Eleven, que conversou com o CNN Money. Segundo ele, a volatilidade nos ativos ainda é pequena porque as pesquisas mostram os dois principais candidatos — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — com chances muito próximas de 50%.

Esse equilíbrio, na prática, trava os investidores. Siqueira explicou que, com ambos os cenários igualmente prováveis, o mercado não conseguiu precificar uma eventual vitória de nenhum dos lados de forma mais consistente. O resultado é que, até agora, os movimentos foram pontuais.

Movimentação recente e o peso das pesquisas

Nos últimos 30 dias, o especialista reconheceu que houve alguma reação no mercado. Uma sequência de alta, influenciada por pesquisas que mostravam avanço de Flávio Bolsonaro, chamou a atenção. Mas Siqueira avaliou que esse movimento foi pequeno, um reflexo direto da incerteza que ainda domina o cenário eleitoral.

A expectativa é que os dias imediatamente anteriores ao primeiro turno possam trazer alguma agitação maior. Investidores, segundo ele, tentarão antecipar para que lado as pesquisas podem errar. “A grande movimentação vai acontecer na segunda – feira que vem”, afirmou, referindo – se ao período logo após a apuração do primeiro turno. “Com essas informações, vai ser mais fácil você tentar ver para que lado o pêndulo pende no segundo turno”, completou.

O que esperar após o primeiro turno

Na visão de Siqueira, o resultado do primeiro turno vai fornecer um conjunto muito maior de informações. Com mais previsibilidade, os investidores poderão tomar decisões mais concretas pensando no pleito seguinte. O único cenário que não geraria movimentação relevante, segundo ele, seria se as pesquisas acertassem os resultados com precisão para todos os candidatos, eliminando qualquer informação nova para o mercado.

Questionado sobre o interesse do investidor estrangeiro em meio a um cenário internacional desafiador — com juros elevados nos Estados Unidos e tensões geopolíticas —, Siqueira disse que o Brasil ainda atrai atenção. “Muitos investidores estrangeiros já estão olhando isso com atenção, começando a fazer posição para esse evento”, afirmou.

Ele citou sinais recentes de movimentação via opções do EWZ, índice que representa principalmente o Ibovespa negociado na Bolsa americana.

Leia também

Para o head de Research da Eleven, mesmo com o ambiente externo adverso, é muito provável que o mercado se prepare para uma alta ou queda forte nos próximos dias. Ele lembrou as reações expressivas observadas nos mercados da Colômbia e da Argentina após seus respectivos pleitos, mesmo em períodos de dificuldades globais.