Vice-ministro norte-coreano diz que aliança EUA-Coreia do Sul-Japão justifica arsenal nuclear

O vice – ministro da Defesa da Coreia do Norte, Kim Kang Il, afirmou nesta quinta – feira (17) que a expansão militar liderada pelos Estados Unidos e a crescente aliança nuclear entre Washington, Seul e Tóquio justificam os esforços de Pyongyang para fortalecer suas forças atômicas.
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A declaração foi feita durante o Fórum Xiangshan de Pequim, a principal conferência de segurança internacional da China.
Kim Kang Il disse que o status do país como potência nuclear é irreversível e prometeu continuar ampliando o arsenal. “O incessante reforço de armamentos nucleares por parte dos Estados inimigos justifica plenamente a construção de um sólido escudo nuclear da RPDC”, declarou, usando a sigla para República Popular Democrática da Coreia.
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Para ele, a ameaça nuclear inimiga atingiu “um nível extremo”, o que leva Pyongyang a defender a paz na Península Coreana “expandindo e fortalecendo incessantemente sua dissuasão nuclear de autodefesa”.
Rara aparição internacional e sinal a Trump
A participação de Kim Kang Il no fórum chinês marcou uma aparição rara de um alto representante norte – coreano em um evento internacional de segurança. O movimento ocorre em meio à busca de Pyongyang por laços mais próximos com Pequim, enquanto crescem as tensões com Washington e seus aliados.
Questionado sobre a possibilidade de um encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, o líder norte – coreano Kim Jong Un disse não estar em condições de discutir se tal cúpula poderia ocorrer. Já o ex – representante especial dos EUA para a Coreia do Norte, Stephen Biegun, avaliou, durante a conferência “West Coast Exchange” do Korea Risk Group, que a resposta contida de Pyongyang às alegações de Trump sobre comunicações sugere que o país “não está fechando a porta” para negociações.
Biegun afirmou que “não seria nenhuma surpresa” se Trump propusesse um encontro com Kim Jong Un após a cúpula da APEC na China, em novembro, e que a reunião poderia até ocorrer em Pyongyang.
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Irmã de Kim Jong Un também rejeita desnuclearização
As declarações do vice – ministro ocorreram no mesmo dia em que Kim Yo Jong, influente irmã de Kim Jong Un, rejeitou novos apelos internacionais pela desnuclearização. Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, ela classificou o status nuclear do país como “absoluto” e irreversível, chamando as repetidas exigências de desarmamento de “ruído” anual.
Para ela, a posição nuclear de Pyongyang está permanentemente estabelecida, tanto “física quanto legalmente”.
Os comentários de Kim Yo Jong ecoaram uma declaração feita na quarta – feira (16) por um porta – voz do Ministério da Defesa norte – coreano. O porta – voz acusou os Estados Unidos e a Coreia do Sul de intensificarem o confronto militar por meio de exercícios conjuntos e planejamentos de resposta a armas de destruição em massa.
Ele afirmou que as discussões recentes entre EUA e Coreia do Sul equivalem a uma “declaração aberta de confronto” e alertou que tais ações poderiam levar Pyongyang a invocar dispositivos de sua lei sobre a política de força nuclear.
Segundo Lim Eul – chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, em Seul, as falas fazem parte de uma campanha de comunicação mais ampla sobre a política nuclear do país. Para o especialista, os comentários visam consolidar a alegação de que o status nuclear norte – coreano atingiu um “estágio irreversível”, ao mesmo tempo que criam justificativas para futuras atividades militares em resposta ao que Pyongyang descreve como pressão crescente dos EUA e da Coreia do Sul.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



