Venezuela convoca população a economizar energia e água com chegada do El Niño e seca iminente
A convocação do governo para economizar energia e água intensifica a crise no país, gerando protestos e descontentamento popular em meio à seca iminente.
Menos de dois meses após os terremotos que deixaram mais de 6 mil mortos, o governo da Venezuela convoca a população a economizar energia elétrica e água. A medida surge em meio à expectativa de uma seca iminente, levando muitos a temer cortes mais amplos no fornecimento, já afetado por meses de restrições severas.
A líder interina Delcy Rodríguez alertou na semana passada que o fenômeno El Niño já impacta o país, membro da Opep, podendo resultar em uma seca antes do fim do ano. Segundo ela, a situação exige uma conservação imediata de recursos hídricos e energéticos.
Protestos e descontentamento popular
A convocação para economizar energia em um sistema já sobrecarregado gerou novos protestos em várias regiões. A população enfrenta cortes de energia que podem durar até 10 horas diárias e falhas frequentes nos equipamentos, resultando em interrupções prolongadas no abastecimento de água.
Mariela Núñez, professora aposentada de 75 anos da cidade de Valência, expressou sua indignação: “Não consigo entender como podemos adotar mais medidas de economia de energia se nem sequer temos energia”. Ela acrescentou que os cortes ocorrem sem aviso prévio e que as altas temperaturas dificultam o dia a dia, especialmente para quem vive em andares altos sem elevador.
Situação crítica no setor energético
A capacidade de geração disponível na Venezuela é inferior a 13 mil megawatts (MW), frente a um total instalado de 36 mil MW. Isso resulta em um déficit superior a 1.500 MW entre oferta e demanda, um problema que as autoridades tentam conter. Além disso, quase 90% da capacidade térmica está inativa devido a anos de subinvestimento e falta de manutenção.
O especialista em energia Nelson Hernández destacou que essa situação aumentou a dependência da energia hidrelétrica, com mais de 80% da eletricidade proveniente do sistema da barragem de Guri, localizada no sul do país. O governo prometeu restaurar até 4.800 MW antes do final do ano por meio de contratos recentes com empresas como GE Vernova e IMPSA, visando modernizações e novas turbinas.
Ceticismo diante das promessas
Entretanto, promessas anteriores não cumpridas geraram ceticismo entre os cidadãos. José Antonio Robles, diretor do centro de engenheiros do Estado de Zulia, afirmou: “Temos que ser honestos. O El Niño não é a causa da crise dos serviços públicos; ele apenas agrava um déficit histórico”.
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Ele atribui a necessidade atual de racionamento ao longo período de subinvestimento na geração energética e à deterioração das linhas de transmissão.
A seca também traz preocupações adicionais. Abraham Salcedo, diretor da faculdade de engenharia civil da Universidade Central da Venezuela, apontou que incêndios florestais podem ameaçar a produção agrícola, intensificando as dificuldades geradas pelo racionamento tanto na energia quanto na água.
Até o momento, o Ministério da Informação da Venezuela e a concessionária Corpoelec não comentaram sobre as atuais demandas e críticas referentes à crise energética no país.