Sistema eleitoral da Nova Zelândia: como funciona o voto duplo nas eleições de 2026

O sistema de voto duplo permite que cada eleitor escolha um candidato local e um partido nacional, definindo a composição proporcional do Parlamento.

27/09/2026 13:12

3 min

Eleitora vota na Nova Zelândia
Eleitora vota na Nova Zelândia

A Nova Zelândia se prepara para as eleições parlamentares em 7 de novembro deste ano, e o cenário promete uma disputa acirrada. Pesquisas indicam um equilíbrio de forças entre os blocos de esquerda e de direita, sem que nenhum partido saia como grande vencedor isolado.

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O resultado será definido pelo sistemaeleitoral de representação proporcional mista, conhecido pela sigla MMP. Desde que foi adotado, há três décadas, o modelo tornou as coalizões a regra na política neozelandesa.

Como funciona o sistema eleitoral da Nova Zelândia

No MMP, cada eleitor deposita dois votos: um para o candidato de sua preferência no distrito eleitoral e outro para um partido. O candidato mais votado vence e assume a cadeira, enquanto o voto na legenda define quantas cadeiras cada partido terá no Parlamento.

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Os 71 distritos eleitorais do país elegem seus representantes de forma direta. As cadeiras restantes, cerca de 49 nesta eleição, são preenchidas por listas partidárias para que a composição final corresponda à proporção de votos nacionais. Esse número, no entanto, pode sofrer alterações.

Para garantir assentos no Parlamento, os partidos precisam obter pelo menos 5% dos votos de legenda ou conquistar ao menos uma cadeira em um distrito eleitoral. Um partido ou coalizão forma governo ao conquistar a maioria no parlamento unicameral — geralmente, 61 das 120 cadeiras.

Partidos menores e o papel decisivo nas coalizões

Desde a primeira aplicação do MMP, em 1996, as legendas menores frequentemente decidem quem governa. O New Zealand First (Nova Zelândia Primeiro) já atuou como fiel da balança, apoiando o Partido Nacional em 1996 e o Partido Trabalhista em 2017.

O Te Pāti Māori também ajudou partidos maiores a governar em diferentes momentos. Nesta eleição, o centrista Opportunity Party (Partido da Oportunidade) pode ganhar protagonismo, caso atinja a cláusula de barreira de 5% ou conquiste uma cadeira distrital.

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O pleito de 2017 mostrou que o maior partido nem sempre assume o poder. Na ocasião, o Partido Nacional conquistou 56 cadeiras, contra 46 do Partido Trabalhista, mas não conseguiu formar maioria. O Partido Trabalhista, por sua vez, montou uma coalizão com o New Zealand First e fechou um acordo de confiança e aprovação orçamentária com o Partido Verde.

Peculiaridades do sistema e a origem do MMP

O Parlamento normalmente tem 120 cadeiras, mas assentos extras podem surgir quando um partido vence em mais distritos eleitorais do que sua proporção de votos nacionais garantiria. Foi o que ocorreu em 2023, quando o Te Pāti Māori conquistou seis distritos com apenas 3,1% dos votos de legenda.

Pesquisas indicam que isso pode se repetir em 2026.

Dentro desse sistema, sete cadeiras distritais são reservadas à população Māori, para eleitores registrados no cadastro eleitoral Māori. Eles também podem optar por se registrar em um distrito geral.

O MMP substituiu o sistema britânico de voto majoritário, no qual o candidato mais votado em cada distrito levava a cadeira. A mudança veio por recomendação de uma comissão que buscava incluir partidos menores, deixados de fora no modelo anterior.

Originário da Alemanha, o sistema foi adotado, com modificações, em países como Bolívia, Lesoto, Coreia do Sul e Tailândia.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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