Venezuela convoca população a economizar energia e água com chegada do El Niño e seca iminente

A convocação do governo para economizar energia e água intensifica a crise no país, gerando protestos e descontentamento popular em meio à seca iminente.

13/08/2026 23:27

3 min

Pessoas jogam dominó com luz de celular durante apagão em Valência, na Venezuela
Pessoas jogam dominó com luz de celular durante apagão em Valênc...

Menos de dois meses após os terremotos que deixaram mais de 6 mil mortos, o governo da Venezuela convoca a população a economizar energia elétrica e água. A medida surge em meio à expectativa de uma seca iminente, levando muitos a temer cortes mais amplos no fornecimento, já afetado por meses de restrições severas.

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A líder interina Delcy Rodríguez alertou na semana passada que o fenômeno El Niño já impacta o país, membro da Opep, podendo resultar em uma seca antes do fim do ano. Segundo ela, a situação exige uma conservação imediata de recursos hídricos e energéticos.

Protestos e descontentamento popular

A convocação para economizar energia em um sistema já sobrecarregado gerou novos protestos em várias regiões. A população enfrenta cortes de energia que podem durar até 10 horas diárias e falhas frequentes nos equipamentos, resultando em interrupções prolongadas no abastecimento de água.

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Mariela Núñez, professora aposentada de 75 anos da cidade de Valência, expressou sua indignação: “Não consigo entender como podemos adotar mais medidas de economia de energia se nem sequer temos energia”. Ela acrescentou que os cortes ocorrem sem aviso prévio e que as altas temperaturas dificultam o dia a dia, especialmente para quem vive em andares altos sem elevador.

Situação crítica no setor energético

A capacidade de geração disponível na Venezuela é inferior a 13 mil megawatts (MW), frente a um total instalado de 36 mil MW. Isso resulta em um déficit superior a 1.500 MW entre oferta e demanda, um problema que as autoridades tentam conter. Além disso, quase 90% da capacidade térmica está inativa devido a anos de subinvestimento e falta de manutenção.

O especialista em energia Nelson Hernández destacou que essa situação aumentou a dependência da energia hidrelétrica, com mais de 80% da eletricidade proveniente do sistema da barragem de Guri, localizada no sul do país. O governo prometeu restaurar até 4.800 MW antes do final do ano por meio de contratos recentes com empresas como GE Vernova e IMPSA, visando modernizações e novas turbinas.

Ceticismo diante das promessas

Entretanto, promessas anteriores não cumpridas geraram ceticismo entre os cidadãos. José Antonio Robles, diretor do centro de engenheiros do Estado de Zulia, afirmou: “Temos que ser honestos. O El Niño não é a causa da crise dos serviços públicos; ele apenas agrava um déficit histórico”.

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Ele atribui a necessidade atual de racionamento ao longo período de subinvestimento na geração energética e à deterioração das linhas de transmissão.

A seca também traz preocupações adicionais. Abraham Salcedo, diretor da faculdade de engenharia civil da Universidade Central da Venezuela, apontou que incêndios florestais podem ameaçar a produção agrícola, intensificando as dificuldades geradas pelo racionamento tanto na energia quanto na água.

Até o momento, o Ministério da Informação da Venezuela e a concessionária Corpoelec não comentaram sobre as atuais demandas e críticas referentes à crise energética no país.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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