Venda de máquinas agrícolas por consórcio cai 6,6% em 2026 e crédito encolhe 9,5%

A redução de 44,2% no ticket médio das máquinas explica o menor volume financeiro mesmo com alta de 3,8% no número de consorciados ativos.

23/09/2026 09:13

3 min

Consórcio de máquinas agrícolas perde força em 2026
Consórcio de máquinas agrícolas perde força em 2026

A desaceleração na venda de máquinas agrícolas por meio de consórcios em 2026 reforça um movimento de cautela entre os produtores rurais, que evitam assumir novos compromissos de longo prazo. Dados da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) indicam que a comercialização de novas cotas para veículos pesados, segmento no qual as máquinas agrícolas representam 51%, caiu 6,6% entre janeiro e agosto na comparação com o mesmo período de 2025.

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O volume de crédito destinado a esse setor também encolheu. A estimativa da entidade aponta R 15,48 bilhões em negócios nos oito primeiros meses do ano, uma redução de 9,5% ante os R 17,11 bilhões registrados um ano antes. Em contrapartida, o número de consorciados ativos no segmento subiu.

Eram 460,12 mil em agosto de 2025, contra 477,55 mil no mesmo mês de 2026 — alta de 3,8%.

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Menos dinheiro em circulação e ticket médio menor

Outro dado que escancara o cenário de retração financeira é o valor total dos bens contemplados. Entre janeiro e agosto, as contemplações de máquinas agrícolas somaram R 7,65 bilhões, 4,3% abaixo dos R 7,99 bilhões de 2025. Já o número de consorciados que receberam o direito de usar o crédito ficou praticamente estável: 31,68 mil, contra 31,97 mil no mesmo intervalo do ano passado.

A ABAC também calcula que o ticket médio dos veículos pesados — referência usada para o segmento de máquinas agrícolas — despencou. Em agosto de 2025, o valor era de R401,4 mil; em agosto de 2026, caiu para R 223,92 mil. A redução foi de 44,2% em 12 meses, o que ajuda a explicar o menor volume financeiro mesmo com uma base maior de participantes.

Caminhões seguem mesma tendência

O mercado de caminhões, que responde por cerca de 41% dos consorciados de veículos pesados, também perdeu fôlego. Foram vendidas 51,12 mil cotas de janeiro a agosto, 6,6% a menos que as 54,71 mil do mesmo período de 2025. O crédito comercializado no setor recuou 9,5%, para R 12,45 bilhões.

Apesar da queda nas adesões, as contemplações de caminhões se mantiveram estáveis, em 25,47 mil. Segundo a ABAC, esse volume representaria potencial de compra equivalente a 27% do mercado interno de caminhões no período. Somadas às 68,83 mil unidades registradas pela Fenabrave até agosto, as contemplações estimadas chegariam a 94,3 mil unidades em potencial de aquisição.

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A associação destaca que o número equivaleria a cerca de um caminhão a cada três comercializados no país, mas ressalva que a contemplação não garante a compra imediata — o crédito fica disponível, mas a efetivação do negócio depende do consorciado.

Mercado total de pesados recua, mas consórcios batem recorde geral

No consolidado de veículos pesados (máquinas agrícolas, caminhões e outros bens), o número de participantes chegou a 936,38 mil em agosto, alta de 3,8% em 12 meses. As novas cotas, no entanto, caíram 6,6% no acumulado do ano, para 124,69 mil. O crédito comercializado no segmento recuou 9,5%, somando R 30,36 bilhões.

O desempenho contrasta com o recorde histórico do setor de consórcios como um todo. De janeiro a agosto de 2026, os negócios totalizaram R 389,6 bilhões, alta de 24,2% ante o mesmo período de 2025. A venda de cotas cresceu 15,1%, para 3,82 milhões, e o número de participantes ativos subiu 12%, alcançando 13,55 milhões.

A retração no agronegócio, portanto, não reflete o aquecimento generalizado do sistema, mas sim a postura mais cautelosa do produtor rural.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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