UFPE revela detalhes da perseguição acadêmica durante a ditadura militar

Comissão da Verdade da UFPE eleva para 156 o número de perseguidos presos na universidade durante a ditadura. Descubra os detalhes!

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Foto: Reprodução
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Universidade Federal de Pernambuco revela resultados parciais da Comissão da Verdade

Em meio às comemorações que alguns ainda insistem em fazer do golpe de 1964, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tem se dedicado a um caminho de memória, verdade e reparação. Nesta terça-feira (31), a instituição apresenta os resultados preliminares de uma comissão de investigação, um esforço que, em apenas dez meses, já conseguiu identificar dezenas de nomes de professores, estudantes e técnicos que sofreram perseguição durante a ditadura militar.

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O professor e historiador José Marcelo, integrante do grupo de trabalho, enfatizou o compromisso da comissão com a memória daqueles que foram silenciados, subalternizados ou vítimas de violência. Segundo ele, a função principal da comissão é lembrar à sociedade aspectos que ela prefere esquecer.

A comissão da verdade da UFPE foi instituída há dez meses com previsão de duração de três anos.

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A pesquisa se baseou em um trabalho anterior realizado pela Comissão Estadual de Verdade e Reparação Histórica, que já havia dedicado um capítulo ao universo acadêmico da universidade. A partir dessa base, os pesquisadores da UFPE aprofundaram a investigação em bancos de dados nacionais, arquivos internos da instituição e fontes confidenciais.

Eles analisaram processos de indenização, registros do Superior Tribunal Militar e realizaram entrevistas, depoimentos e levantaram recortes de jornais.

O resultado inicial é significativo. Enquanto a Comissão Estadual listava 90 nomes de perseguidos na UFPE, a nova pesquisa elevou esse número para 156, apenas entre aqueles que foram presos e detidos. Além disso, mais de 100 pessoas foram formalmente acusadas em inquéritos, e vários estudantes tiveram seus cursos interrompidos.

A comissão identificou, ao menos, seis mortos.

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O historiador contextualizou a repressão a professores e estudantes no Brasil, destacando que a violência não começou com o golpe de 1964. Ele explicou que, antes do golpe, já existia uma forma de monitoramento de indivíduos considerados ameaças ao regime, incluindo professores e estudantes envolvidos em movimentos de alfabetização, políticas públicas governamentais e partidos políticos.

A sofisticação do aparato repressivo, ironicamente, se tornou uma ferramenta valiosa para os pesquisadores.

José Marcelo também ressaltou a importância de contextualizar a produção historiográfica brasileira, que frequentemente se concentra no eixo Rio-São Paulo, enquanto regiões como o Nordeste, palco de intensa resistência, são sub-representadas.

A UFPE, que abrigou figuras como Paulo Freire, Josué de Castro e Celso Furtado – todos perseguidos e silenciados – busca consolidar a memória do Nordeste e da instituição de Pernambuco.

A comissão já produziu mini vídeos sobre os seis mortos e desaparecidos identificados até agora, que serão exibidos na TV da universidade. Além disso, está em estudo a criação de espaços de memória e a diplomação póstuma. O evento desta terça-feira (31), que marca os 62 anos do golpe militar, é o primeiro passo para divulgar esses resultados.

Para José Marcelo, trata-se de um momento para celebrar a memória e reafirmar o papel da universidade na defesa da democracia.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

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