UE mantém restrição às carnes brasileiras a partir desta quinta-feira (3)

A União Europeia deve restringir, a partir desta quinta – feira (3), as importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil. A medida, anunciada em maio e formalizada posteriormente pelo bloco, continua prevista mesmo após negociações de última hora entre autoridades brasileiras e europeias.
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A restrição pode criar uma barreira sanitária com duração de meses para as exportações brasileiras. A Comissão Europeia mantém a suspensão válida a partir de 3 de setembro, enquanto as conversas com o governo brasileiro seguem em andamento.
Auditoria ocorreu às vésperas da restrição
Nos últimos dias, técnicos europeus estiveram no Brasil para avaliar os sistemas de controle adotados pelo país. A auditoria busca verificar se as exigências da União Europeia podem ser atendidas e tem peso especialmente para a cadeia de aves e para produtos como o mel.
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O calendário, porém, deixou pouco tempo para mudanças. A avaliação foi realizada praticamente às vésperas da entrada em vigor da medida, com análises de produtores e estabelecimentos brasileiros para verificar a conformidade com as regras europeias sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
O governo brasileiro tentava demonstrar que o sistema nacional de fiscalização e certificação é capaz de garantir a segurança dos produtos enviados ao bloco. Em julho, o Ministério da Agricultura afirmou que não pedia a flexibilização das regras europeias, mas o reconhecimento dos controles brasileiros.
Carne bovina enfrenta maior dificuldade
Entre as proteínas brasileiras, a carne bovina é considerada o ponto mais sensível. A exigência europeia não se limita aos procedimentos dentro dos frigoríficos: o Brasil precisa comprovar que os animais e produtos destinados ao bloco seguem as regras sobre determinadas substâncias durante toda a cadeia produtiva.
A adaptação é vista como complexa pela própria cadeia brasileira. Em maio, representantes do setor indicavam que a carne bovina poderia permanecer fora da lista de produtos autorizados até 2027. Produtos de cadeias de ciclo curto, como a avicultura, teriam melhores condições de recuperar o acesso mais rapidamente.
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Durante o SIAVS, em agosto, o ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que a prioridade era evitar que a restrição atingisse as cadeias de ciclo curto. O Brasil, disse ele, continuaria tentando reverter a exclusão da lista europeia.
Setor teme perda de receita e efeito em outros mercados
Em volume, a União Europeia não é o principal destino da carne brasileira. O Brasil exportou 108,6 mil toneladas de carne bovina para o bloco em 2025, cerca de 3,5% das exportações totais.
O mercado europeu, por outro lado, tem peso maior no faturamento. A região respondeu por aproximadamente 5,5% da receita externa da carne bovina brasileira, impulsionada pelo preço mais elevado dos cortes vendidos no local. A suspensão de carnes, ovos e mel pode colocar em risco cerca de US 1,8 bilhão por ano em exportações brasileiras.
Também preocupa o impacto reputacional. A União Europeia estabelece padrões sanitários e regulatórios acompanhados por outros compradores, e o setor teme que a interpretação sobre o controle de antimicrobianos seja adotada como referência por outros países importadores.
Entidades como Abiec e ABPA defenderam mudanças nos controles brasileiros para evitar que a exigência europeia alcance outros mercados. A partir de agora, o Brasil terá de tentar reverter a decisão e, ao mesmo tempo, direcionar a produção para novos destinos.
Esse segundo caminho é mais difícil para a carne bovina. O mercado global passa por um período de oferta mais apertada, enquanto grandes compradores também adotam medidas para proteger seus próprios produtores.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



