Polícia Civil faz operação contra monopólio de internet do TCP e cumpre 8 mandados no Rio

Apuração aponta ameaças a técnicos, cabos cortados e uso irregular de equipamentos de concessionárias desde 2022 na comunidade.

01/09/2026 07:21

3 min

Policiais civis realizam a Operação Sinal Livre na comunidade Boogie Woogie, na Ilha do Governador, nesta terça-feira (1º). Investigação apura esquema de exploração clandestina de internet com participação de integrantes do TCP.
Policiais civis realizam a Operação Sinal Livre na comunidade Bo...

A Polícia Civil deflagrou, nesta terça – feira (1º), a Operação Sinal Livre contra um esquema de exploração clandestina de internet na comunidade Boogie Woogie, na Ilha do Governador, zona Norte do Rio. A ação investiga a ligação do serviço com o crime organizado e inclui oito mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados.

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Os mandados são cumpridos por agentes da DDSD (Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados). A apuração aponta que TCP (Terceiro Comando Puro) controlavam o fornecimento de internet na região e dificultavam a entrada de empresas regulares.

Operação investiga domínio sobre internet

De acordo com a polícia, dois são investigados por suposta atuação conjunta com integrantes do TCP para manter o controle do serviço na comunidade. Técnicos de grandes operadoras teriam sido ameaçados e barrados ao tentar instalar, reparar ou fazer a manutenção das redes.

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A investigação também encontrou registros de cabos cortados, além de equipamentos e estruturas de concessionárias danificados. Ocorrências com essas características são apuradas na região desde pelo menos 2022.

Com as redes regulares danificadas e os funcionários impedidos de trabalhar, os moradores ficariam com menos alternativas para contratar internet. A suspeita é de que o controle territorial favorecesse provedores capazes de operar na comunidade.

A polícia afirma ainda que os provedores investigados usavam cabos e equipamentos pertencentes às concessionárias de telecomunicações. Os materiais seriam destinados à operação das empresas e não eram comercializados regularmente.

Três homens teriam funções diferentes

A investigação identificou três homens que exerceriam papéis distintos no esquema. Um deles seria responsável por um dos provedores, enquanto outro administraria duas empresas de internet.

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O terceiro investigado seria encarregado de impedir diretamente a entrada de técnicos das concessionárias na comunidade. A DDSD também apura se uma das empresas se beneficiou da retirada de concorrentes da região.

Um dos episódios analisados envolve a administração de um condomínio. Segundo o relato examinado pelos investigadores, funcionários de uma empresa de internet teriam chegado ao local acompanhados por traficantes e, por meio de ameaças, obrigado a administração a aceitar o serviço da empresa.

Crimes apurados pela Polícia Civil

A Operação Sinal Livre apura possíveis crimes de receptação, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção ou perturbação de serviço de telecomunicação e associação criminosa.

Os investigadores ainda trabalham para definir a participação de cada suspeito e localizar outros possíveis envolvidos. A apuração também busca esclarecer a atuação dos provedores e os vínculos mantidos com integrantes do crime organizado.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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