Ubarana transforma renda de mulheres pescadoras no Rio

A culinária criativa está provando ser um motor de transformação social e econômica na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. É o que acontece com as mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé, ou ACAMM; cujas vidas foram reestruturadas por meio de saberes tradicionais locais.
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O centro dessa história é uma espécie peixe historicamente subvalorizada pelos pescadores regionais — a ubarana. Através da Cozinha das Caranguejeiras, localizada na sede da associação em Magé, essas artesãs transformaram esse pescado desprezado em pratos sofisticados como estrogonofe, escondidinho, almôndegas, coxinhas e quibes, gerando renda para suas famílias enquanto promovem um forte impacto social.
Valorizando o Ubarana: Da Pesca à Gastronomia
A técnica de preparo utilizada pelas mulheres não apenas agrega valor nutricional ao peixe; ela eleva a ubarana do status de complemento alimentar local. O processo é baseado no conhecimento transmitido por gerações na região dos manguezais da Baía de Guanabara.
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Segundo Verônica Souza, bióloga ligada ao Projeto Andadas Ecológicas (iniciativa da ONG Guardiões do Mar), esse baixo apreço comercial pela espécie deve – se principalmente às suas muitas espinhas finas e dispersas em filés que dificultam o consumo geral entre os pescadores tradicionais.
“Por isso… acaba tendo um baixo valor comercial”, explica ainda Souza sobre como as pessoas tendem a preferir peixes com menos estruturas ósseas. No entanto, ela elogia profundamente o trabalho das caranguejeiras por desenvolver uma forma própria de preparo capaz de aproveitar toda sua carne sem que essas características sejam percebidas pelo consumidor.
Renda Comunitária Atrelada à Conservação
O impacto do projeto vai muito além da cozinha: ele funciona também como ação social e ferramenta econômica para diversas famílias na comunidade. A Cozinha recebe apoio institucional importante; em um primeiro momento provisório foi estabelecida após aprovação no edital do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) em 2021. Três anos depois, com outro recurso garantido pela associação, o espaço se transferiu permanentemente dentro dos limites maiores de MagéACAMM.
“São pratos feitos com ubarana e assim temos ajudado as quinze famílias”, conta Márcia Regina, que esteve envolvida por quarenta anos até sua aposentadoria da atividade pesqueira. Ela ressalta ainda como esse ambiente coletivo ajuda na saúde mental das mulheres: “Juntas… acaba sendo uma ação social”.
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Sinergia entre Economia Local e Meio Ambiente. Atualmente, 15 mulheres atuam diretamente no formato de rodízio dentro do espaço associativo recebendo um percentual sobre o total vendido em pratos derivados da ubarana. Além disso, a iniciativa atende outras vinte quatro famílias que dependem indiretamente desse fluxo econômico.
O presidente Rafael Santos explica que os pescadores também se beneficiam ao alugar parte do local para eventos pessoais. Essa estrutura econômica é complementada por ações vitais de conscientização ambiental: “A gente faz a limpeza e replantio de manguezal”, afirma ele na defesa dos estuários onde vivem esses peixes importantes.
Desde janeiro deste ano (2026), pesqueiros artesanais realizaram uma Operação Limpa Oca no Rio Suruí retirando 12.622 quilos de resíduos, garantindo o manejo necessário contra ameaças ambientais à espécie.
Para além da gastronomia sustentável, as caranguejeiras também incentivam roteiros turísticos em Magé que promovem programas educativos sobre fauna e flora local — um propósito fundamental para garantir não apenas a venda do prato principal feito com ubarana ou seus derivados na Baía de Guanabara, mas sim despertar nos visitantes interesse pela educação ambiental regional.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



