Trump disse que aceitaria a derrota, mas publica imagem com a palavra “veto” após revés no Congresso

Os democratas conquistaram a maioria da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, disputadas na terça-feira (3). Com a apuração confirmada na madrugada de quarta-feira (4), o partido passa a controlar as duas casas do Congresso pelos próximos dois anos e impõe uma derrota ao presidente Donald Trump e ao Partido Republicano.
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No Senado, a legenda chegou a 54 das 100 cadeiras, acima das 51 necessárias para garantir a maioria. Foram 20 assentos conquistados, sete deles até então sob controle republicano. No último balanço, os republicanos tinham 43 cadeiras, e três disputas seguiam indefinidas. Os números foram levantados até o momento da redação.
Democratas somam 225 cadeiras na Câmara
Na Câmara, o Partido Democrata alcançou 225 assentos, bem acima dos 218 necessários para a maioria absoluta. Os republicanos somavam 136 cadeiras, e outras 74 ainda não tinham resultado definido. A legenda tirou 25 distritos que eram representados por republicanos, espalhados por mais de dez estados.
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Na prática, a troca de comando no Legislativo deve travar a aprovação de propostas do governo Trump. O presidente havia dito que aceitaria uma eventual derrota, mas publicou uma imagem com a palavra “veto”, o que sinaliza que pode recorrer ao instrumento presidencial diante de um Congresso dominado pela oposição.
Republicanos perdem em estados conservadores
O avanço democrata no Senado veio, em boa parte, de estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos. No Texas, James Talarico venceu Ken Paxton, e na Carolina do Sul, Annie Andrews bateu Darline Graham. Nos dois casos, os derrotados eram candidatos apoiados por Trump.
No Texas, o presidente havia respaldado Paxton, procurador-geral do estado, nas primárias republicanas contra o senador John Cornyn. Integrantes do próprio partido já alertavam que a candidatura, envolvida em controvérsias, poderia comprometer as chances na eleição geral e exigir gastos altos de campanha.
Já na Carolina do Sul, Darline Graham disputava a vaga que pertencia a seu irmão, Lindsey Graham, após a morte do senador, mesmo com dúvidas internas sobre sua experiência política. Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador Jon Husted, apesar das visitas repetidas de Trump ao estado em eventos de campanha em favor do adversário.
Democratas seguram cadeiras disputadas
Os democratas também preservaram assentos que eram vistos como competitivos. Na Geórgia, o senador Jon Ossoff foi reeleito ao vencer o deputado republicano Mike Collins, o que frustrou uma das principais apostas do partido rival para ampliar sua bancada no Senado.
Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas levou a melhor sobre o ex-senador John Sununu e ficou com a cadeira que será deixada pela democrata Jeanne Shaheen, que decidiu se aposentar. Na Carolina do Norte, a legenda tirou mais um assento dos republicanos.
Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado, garantiram a reeleição sem grandes dificuldades. Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para substituir o senador Dick Durbin, também democrata.
Como funcionam as eleições de meio de mandato
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem a cada dois anos nos Estados Unidos. Como coincidem com a metade do mandato presidencial, dão aos eleitores a chance de redefinir a composição do Congresso. A Câmara dos Representantes tem 435 integrantes, todos eleitos para mandatos de dois anos, por isso todas as cadeiras entram em disputa a cada eleição.
Para controlar a Casa, um partido precisa de pelo menos 218 assentos.
No Senado, os mandatos duram seis anos, e cerca de um terço das 100 cadeiras é renovado a cada dois anos. Em 2026, 35 assentos estavam em disputa. Com as duas casas sob controle democrata, o partido passa a comandar a tramitação de projetos, pode ampliar a fiscalização sobre o Executivo e terá mais influência nas negociações orçamentárias e na agenda política de Washington.
Editoria:
Redação Internacional
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