Se perder o Congresso nas Midterms, Trump pode enfrentar mais entraves e investigações
Os eleitores dos Estados Unidos votam em 3 de novembro nas Midterms, as Eleições de Meio de Mandato, que definem quem controla o Congresso. Donald Trump e os republicanos precisam manter a maioria tanto no Senado quanto na Câmara de Representantes, mas pesquisas de opinião mostram que os democratas têm mais apoio da população neste momento.
Como o nome indica, a votação acontece no meio do mandato presidencial. Trump foi eleito em 2024 e assumiu em 2025, e a próxima disputa pela Presidência só ocorre em 2028. O resultado das urnas deve pesar sobre o resto do governo: manter o Congresso pode facilitar a agenda do presidente, enquanto perder a maioria no Capitólio pode dificultar a gestão e abrir caminho para investigações contra a administração federal.
As Midterms antecipam a eleição presidencial?
Especialistas consultados pela CNN Brasil avaliam que as Midterms não preveem o resultado da próxima eleição presidencial dos Estados Unidos. Segundo eles, é comum que o partido do presidente em exercício tenha um desempenho ruim nessa votação.
Em 2022, esperava-se o que especialistas chamaram de “onda vermelha”, uma vitória expressiva do Partido Republicano, mas ela não veio. O partido de Trump ficou com 222 cadeiras na Câmara, quatro a mais do que as 218 necessárias para a maioria. No Senado, os democratas, então com o presidente Joe Biden, garantiram uma estreita maioria de 51 a 49.
“O fato de o governo Biden ter perdido de menos do que se esperava poderia ser um indicativo de que seria difícil o Trump voltar ao poder, porque os democratas estariam se reorganizando e isso poderia garantir uma eleição, mas não foi o que a gente viu”, analisa Marcos Sorrilha, especialista em história dos Estados Unidos e professor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo). “A vitória do Trump em 2024 foi maior do que a vitória que teve em 2016, então não necessariamente as Midterms nos ajudam a prever ou apostar numa alteração do que vai ser o resultado das eleições daqui a dois anos”, complementa.
Histórico de Reagan, Clinton e Obama reforça a tese
Lucas de Souza Martins, professor de História dos Estados Unidos e pesquisador na Temple University, lembra outros casos em que a Midterm não indicou a eleição seguinte. “[Ronald] Reagan perdeu cadeiras em 1982 e venceu com folga em 1984; [Bill] Clinton perdeu o Congresso em 1994 e se reelegeu em 1996; [Barack] Obama sofreu uma derrota histórica em 2010 e venceu em 2012”, destaca.
Para o especialista, as Midterms funcionam como um “termômetro do humor do eleitorado e da mobilização de cada partido” naquele momento específico. Ele acredita que a ideia de prever a disputa pela Casa Branca “valerá ainda menos” para 2028, já que não haverá presidente concorrendo à reeleição.
A Constituição americana proíbe que alguém seja presidente por mais de dois mandatos, e Trump está no segundo.
Midterms podem redefinir a sucessão de Trump
Mesmo sem prever o vencedor, a votação pode reorganizar forças dentro dos dois partidos de olho na eleição presidencial. Lucas Martins afirma que um resultado forte dos republicanos daria a Trump mais peso para escolher o sucessor, com “[o vice-presidente] JD Vance e [o secretário de Estado Marco] Rubio no centro dessa conversa”.
Já um resultado ruim, segundo ele, “tende a antecipar o clima de fim de governo e a abrir a disputa interna no partido”.
Ala à esquerda dos democratas será testada nas urnas
Marcos Sorrilha também chama a atenção para o crescimento do DSA (Democratic Socialist of America), ala mais à esquerda dentro do Partido Democrata. Segundo o professor, o grupo vem ganhando força no partido, inclusive vencendo votações primárias, mas enfrenta grande rejeição da população como um todo.
Por isso, as Midterms serão a chance de medir se o grupo é “eleitoralmente competitivo” no cenário geral. “O que a gente vê é que tem uma reorganização dentro do partido democrata, das forças que controlam o partido. (…) Se eles forem vitoriosos, a tendência é de acentuação disso”, pontua.
Para ele, o nome democrata de 2028 pode ainda nem estar claro. “O próximo candidato à Presidência democrata em 2028 talvez nem esteja no nosso horizonte, talvez seja alguém que venha e que cresça junto a esse movimento e ganhe força ao longo dos próximos dois anos”, conclui Sorrilha.
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