Trump diz que vai falar com Lula, mas chama eleição brasileira de “vergonha” e não dá data
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a chamar as eleições presidenciais brasileiras de “vergonha” na quinta-feira (29). A declaração veio um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixar o país rumo ao território americano.
Trump disse que pode conversar com o petista, mas não informou quando. Ao responder a um jornalista que perguntou se reconheceria Lula como presidente eleito e se o cumprimentaria, ele afirmou: “Vou falar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil”.
O governo americano ainda não reconheceu oficialmente a vitória do petista.
Trump critica eleição e cita o mercado
Na sequência, o republicano disse ter acompanhado o pleito sem tomar partido. “Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil. Foi uma vergonha”, declarou. Segundo ele, foi “orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente”, referência a Lula.
Trump também apontou o desempenho do mercado financeiro como prova do problema. “Bem, o mercado diz isso. É só olhar para o mercado. Quer dizer, o mercado deles despencou”, afirmou. Na quarta-feira, ele havia dito a jornalistas que não queria “comentar” nem “se envolver” quando questionado sobre a carta golpista divulgada por Flávio.
Ao classificar o pleito como “muito estranho”, não apresentou provas.
Flávio alega fraude em carta e muda título na internet
O ex-candidato se manifestou pela primeira vez na quarta-feira, depois de chegar a Miami, nos EUA. Em documento, ele afirma ter sido vítima de uma “fraude” eleitoral, sem apresentar provas, e agradeceu a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei.
Flávio chegou a marcar uma coletiva para a manhã de quinta-feira, mas cancelou e divulgou a carta com declarações escritas. No documento, ele sustenta que Lula venceu por meio de fraude, favorecido pela liminar de Cristiano Zanin que estendeu a votação até as 19h.
Ainda segundo o senador, 34.000 pessoas votaram no horário estendido, e a diferença entre o petista e ele foi de 4,4 milhões de votos.
No trecho mais duro, Flávio afirma: “Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”.
Mais adiante, ele cita “a perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns”.
Como foi a saída do senador do Brasil
Flávio deixou o país pela Argentina, com passagem pelo Equador, e desembarcou na quarta-feira (28) na cidade americana de Miami, acompanhado da esposa e das duas filhas. Ele descumpriu uma ordem judicial que o proibia de sair do país, no âmbito de uma investigação por lavagem de dinheiro que também envolve o amigo e advogado Willer Tomaz.
Depois de muitos rumores, detalhes da rota começaram a aparecer na quarta-feira (28). O governo argentino negou inicialmente qualquer registro de entrada do ex-candidato. Em seguida, a Direção Nacional de Migrações informou que ele cruzou a fronteira pouco antes da meia-noite de segunda-feira, “com documentação de viagem válida e sem qualquer impedimento legal”.
Segundo a Direção de Migrações, em publicação no X (ex-Twitter), Flávio, a esposa, Fernanda, e as filhas embarcaram em “um voo privado operado pela empresa Baires Fly S. A., com destino à cidade de Guayaquil, no Equador”. O site Flight Radar 24 indicou que a aeronave, de matrícula LV-JQW, decolou do aeroporto argentino de Puerto Iguazú.
De acordo com a agência AFP, o avião pousou em Guayaquil, foi reabastecido e decolou cerca de meia hora depois, seguindo para Miami.
Governo Trump prometeu vistos e passaportes foram cancelados
Na terça-feira, o governo Donald Trump prometeu conceder vistos a Flávio e à família. Apesar de não ter apoiado o senador publicamente na eleição, Trump é conhecido por sua proximidade com o clã Bolsonaro. Na segunda-feira, ele sugeriu que as eleições brasileiras “pareceram fraudadas”, repetindo, sem provas, as acusações iniciais de Flávio.
A situação jurídica do senador também pesou. Na segunda-feira (26), Flávio disse ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. O prazo terminou às 11 horas de terça-feira, e ele não entregou os documentos.
Por isso, os passaportes comum e diplomático foram cancelados.
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