Trump admite dificuldades nos estoques de munição dos EUA e pressiona Teerã por acordo de paz
Trump reconhece a fragilidade dos estoques de munição dos EUA, enquanto pressiona Teerã por um acordo de paz em meio a desafios no abastecimento militar.
Ele assegurou que o país possui “quantidades enormes de munições” e ameaçou com duras penas de prisão aqueles que estivessem vazando informações, as quais considera traiçoeiras para a imprensa.
Apesar de sua postura defensiva, Trump admitiu a jornalistas na Casa Branca que certos tipos de munição não estão em níveis considerados ideais. Essa declaração ocorre em um momento em que Washington busca demonstrar força para pressionar Teerã a aceitar um acordo de paz.
A CNN revelou que os estoques críticos disponíveis antes da guerra foram severamente comprometidos, com cerca da metade dos interceptadores Patriot fora de operação.
Dificuldades no abastecimento militar
O mestre em Ciências Militares Paulo Filho destacou que a situação atual é resultado de problemas anteriores. “O problema foi agravado na guerra contra o Irã, mas não começou com ela”, afirmou. Desde 2022, os EUA têm enviado sistemas de armas para a Ucrânia — inicialmente de forma direta e depois através dos europeus — o que já havia afetado os estoques de mísseis Patriot e THAAD, os únicos capazes de interceptar mísseis balísticos.
Ele também mencionou as dificuldades enfrentadas para repor esses arsenais. “Um míssil Patriot leva entre 18 e 24 meses desde a encomenda até a entrega”, explicou. Embora novas fábricas estejam sendo criadas, o processo é demorado e exige trabalhadores especializados, além de uma cadeia de suprimentos eficaz.
Pressão sobre o Pentágono e orçamento militar
O analista internacional da CNN Lourival Sant Anna comentou sobre o uso intensivo desses mísseis no ano passado para se defender contra ataques iranianos. “Houve dois salvos longos de mísseis lançados pelo Irã, um em abril e outro em junho”, lembrou.
Ele alertou que os mísseis de ataque de precisão — como os ATACMS (Sistemas de Mísseis Táticos do Exército) e seus sucessores PrSM (Mísseis de Ataque de Precisão) — estão quase esgotados, com cerca de 80% já utilizados.
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Esses mísseis eram destinados a um possível confronto com a China, deixando os Estados Unidos sem opções robustas neste momento crítico. Sant’Anna também trouxe à tona questões fiscais: no último ano, o país gastou mais com serviços da dívida — cerca de um trilhão de dólares — do que com Defesa, que somou US958 bilhões.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, solicitou um orçamento militar estimado em US 1,5 trilhão para o próximo ano fiscal, representando um aumento histórico.
Reflexos globais da situação
Paulo Filho avaliou que a aversão ao risco demonstrada por Trump durante sua campanha — optando pelo uso massivo de mísseis em vez do envio de caças ao espaço aéreo iraniano — prejudicou a credibilidade da dissuasão americana. “Os iranianos já perceberam essa aversão ao risco e isso diminuiu a credibilidade sobre como os Estados Unidos empregariam suas capacidades militares”, comentou.
Esse sinal é observado atentamente pela China em relação a possíveis conflitos envolvendo Taiwan ou o Mar do Sul da China.
Além disso, o Japão anunciou uma nova política nacional de defesa considerada “muito mais assertiva”, visando expandir suas capacidades militares — uma iniciativa que desagrada a China. “Tudo isso que estamos testemunhando no Oriente Médio e na guerra da Ucrânia tem implicações graves para todo o sistema internacional”, concluiu Paulo Filho.
A exploração da fragilidade americana pelo Irã
Lourival Sant Anna ressaltou que à medida que se aproximam as eleições nos EUA, Trump enfrenta cada vez menos espaço para decisão. “Os iranianos observam isso com grande interesse e tentarão humilhá – lo por meio de um acordo difícil no Estreito de Ormuz”, afirmou.
Para ele, o Irã conseguiu impor custos elevados pela intervenção americana nessa situação complexa.