Trabalho forçado no café: relatório aponta exploração em fazendas de Minas Gerais

Estudo da KnowTheChain com a Adere-MG identificou indicadores de trabalho forçado em 100% dos casos analisados

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Foto: Reprodução

Trabalho forçado em fazendas de café mineiras: relatório revela cenário alarmante

Um estudo recente, conduzido em parceria entre a KnowTheChain e a Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (Adere-MG), expôs um quadro preocupante nas fazendas de café da região. A pesquisa, baseada nos critérios da Organização Internacional do Trabalho (OIT), identificou indicadores de trabalho forçado em 100% dos casos analisados.

Os trabalhadores relatavam, em média, cinco situações de exploração.

O relatório, divulgado no início de fevereiro de 2026, intitulado “Eu não voltaria nunca: Riscos de Trabalho Forçado nas Cadeias de fornecimento do Café no Brasil“, coletou dados de 24 trabalhadores rurais, parte de um grupo de 100 resgatados de trabalho análogo à escravidão.

Esses trabalhadores foram encontrados entre maio e outubro de 2025, em nove fazendas de café de Minas Gerais, que posteriormente foram oficialmente identificadas em operações de fiscalização.

Fatores que contribuem para o problema

O estudo aponta falhas estruturais na cadeia do café no Brasil, refletindo um cenário geral do modelo produtivo que abastece a demanda dos maiores países compradores, como Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. Jorge dos Santos, coordenador da Adere-MG e integrante da câmara de vereadores, ressalta que a precarização do trabalho na cafeicultura é um problema estrutural e não episódico, com os trabalhadores relatando, em média, um indicador de trabalho forçado definido pela OIT.

Impacto e consequências

O relatório documenta um clima generalizado de medo, imposto pela ameaça de perder o emprego e sofrer represálias. Em um caso, uma pessoa foi repreendida por não se esforçar o suficiente, sendo transferida para um armazém de café como punição.

A pesquisa também revelou ameaças de violência por parte de proprietários de fazendas, demonstrando a operação dessas fazendas à margem da lei.

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Recomendações e próximos passos

Apesar da magnitude do problema, o Brasil possui legislação avançada de combate ao trabalho escravo. No entanto, a grande cadeia produtiva do café, envolvendo muitos intermediários, limita a capacidade do Estado de monitoramento. As punições irrisórias, como multas de R$ 10, 12 ou 15 mil, e a falta de incentivos para boas práticas, facilitam a reincidência do crime.

A Adere-MG e a pesquisadora Marina Novaes defendem a reparação histórica para a população afro-brasileira e a criação de incentivos econômicos para produtores que operam com boas práticas.

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