Eleição nos EUA em 3 de novembro: o que a maioria democrata pode mudar nas tarifas sobre o Brasil

Uma derrota dos republicanos nas eleições legislativas dos Estados Unidos pode abrir caminho para uma relação menos conflituosa entre Washington e Brasília. Os americanos votam na terça-feira (3) para renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado, e o resultado vai mostrar se Trump terá maioria favorável nos dois últimos anos do mandato.
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Isso não significa que Donald Trump seja obrigado a abandonar as tarifas ou a rever sua postura em relação ao governo brasileiro. A avaliação é da professora de Relações Internacionais Ana Carolina Marson, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), no Mapa de Risco especial sobre as eleições de meio de mandato dos EUA, programa de política do Info Money.
Tarifa de 25% sobre produtos brasileiros já está em vigor
O ponto que mais pesa para o Brasil é a política tarifária. Em julho, o governo Trump criou uma taxa extra de 25% sobre alguns produtos brasileiros, com exceções previstas na própria medida. A cobrança passou a valer no dia 22 daquele mês, com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
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A Constituição dos Estados Unidos dá ao Congresso o poder de legislar sobre comércio exterior e tarifas. Com o tempo, porém, o Legislativo repassou parte dessa autoridade ao Executivo, que pode adotar medidas comerciais em situações específicas.
Nesse cenário, uma maioria democrata poderia pressionar por mudanças nessas autorizações, convocar autoridades e cobrar mais explicações sobre as justificativas econômicas das tarifas. Mesmo assim, não teria força para cancelar automaticamente todas as medidas presidenciais.
Para a professora, uma mudança no equilíbrio político de Washington poderia favorecer negociações, mas os interesses comerciais americanos continuariam guiando as decisões.
Democratas poderiam fiscalizar mais, mas sem poder total
Segundo Marson, uma presença democrata maior no Congresso ampliaria a fiscalização sobre a política externa e tenderia a estimular uma postura mais negociadora. Trump, porém, seguiria responsável pela condução das relações diplomáticas americanas.
“Acredito que possa ter uma melhoria das relações, mas que essa melhoria não significa uma mudança completa”, afirmou a professora.
Brasil fica no meio da disputa entre Washington e Pequim
A China ocupa posição central no comércio exterior brasileiro, mas os Estados Unidos continuam sendo parceiros importantes em exportações, investimentos e tecnologia. O interesse internacional por terras raras e outros minerais críticos também eleva o peso do país nas negociações entre as duas potências.
O repórter de internacional do Info Money André Lucena defende que o Brasil preserve espaço de negociação com os dois lados. “O Brasil está no centro de uma hipotética disputa entre Estados Unidos e China, e com uma posição muito pragmática”, afirmou.
Para ele, a rivalidade também pode atrair investimentos, desde que o país consiga condições favoráveis e proteja seus interesses econômicos.
Relação com Lula ganha peso político no debate
Durante o programa, Lucena afirmou que Trump precisa equilibrar sua afinidade ideológica com setores da oposição brasileira e a necessidade de manter contatos institucionais com o governo Lula, reeleito em outubro.
Na avaliação do especialista, o pragmatismo diplomático tende a ganhar força quando interesses comerciais e estratégicos estão em jogo. Ana Carolina fez uma ressalva parecida: embora os democratas costumem defender uma postura mais favorável ao multilateralismo, também colocam os interesses dos Estados Unidos em primeiro lugar.
Editoria:
Redação Internacional
A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



