Venda da TIM Brasil, estimada em R$ 40 bilhões, deve exigir dois compradores, dizem bancos

A discussão ganhou força após a Poste Italiane assumir cerca de 87% da Telecom Italia, e uma fusão com a Vtal, ligada ao BTG Pactual, aparece entre os cenários.

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Loja da operadora TIM | Foto: Reprodução/Exame

Bancos de investimento ouvidos pelo EXAME Insight avaliam que uma eventual venda da TIM Brasil exigiria a união de um investidor estratégico com um fundo, em uma operação estimada em cerca de R$ 40 bilhões. A companhia ainda não foi formalmente colocada no mercado, mas a discussão ganhou fôlego após a troca de controle da matriz italiana.

Na prática, o tamanho do cheque é o principal entrave. Para esses interlocutores, a aquisição seria “muito grande” para um único comprador, o que tende a levar a negociação para um arranjo entre um sócio do setor e um investidor financeiro. Os números, porém, são preliminares: não há transação estruturada nem preço definido.

Fusão com a Vtal aparece entre os cenários

A movimentação dos bancos foi antecipada pelo Valor Econômico na terça-feira (3). Entre as combinações citadas pelo mercado está uma união com a Vtal, empresa de infraestrutura de fibra controlada por fundos geridos pelo BTG Pactual, mesmo grupo controlador da EXAME.

Pessoas próximas ao negócio dizem que nada concreto envolve a companhia, embora a ideia faça “muito sentido”.

A lógica é de complementaridade. A Vtal tem uma malha extensa de fibra óptica e controla a Nio, que recebeu a operação de banda larga da Oi. A TIM, por sua vez, traz uma rede móvel nacional, o que permitiria vender celular e internet residencial de forma conjunta.

Esse encontro entre fibra e telefonia móvel já era estudado, mas no sentido contrário. Em setembro, a XP calculou que uma compra da Vtal pela TIM poderia multiplicar por cinco a base de fibra da operadora. Na época, não havia negociação em andamento; a conta apenas mostrava o potencial de reunir os dois negócios.

Troca de controle na Itália muda o destino da TIM

A discussão nasce na Itália. A Poste Italiane passou a deter cerca de 87% da Telecom Italia, após uma oferta pública e novas compras de ações, e com isso virou controladora indireta da operação brasileira. Na semana passada, Matteo Del Fante, presidente-executivo da Poste, afirmou que a subsidiária brasileira rende lucro e produz caixa, mas não ocupa papel estratégico no projeto do grupo.

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Del Fante também negou que a empresa esteja à venda e disse que ela será usada de forma “tática” nos próximos meses. A prioridade da nova controladora é ampliar a atuação em serviços digitais na Itália.

Para a Telecom Italia, a fatia brasileira pesa. A holding detém cerca de 68% da TIM Brasil, que responde por quase metade do resultado operacional do grupo. O negócio é avaliado em R$ 31,8 bilhões pelo enterprise value, e um eventual prêmio pela operação ajudaria a chegar ao valor que o mercado estima.

Concentração no setor limita os compradores

O perfil dos interessados também pesa. Uma aquisição pela Vivo ou pela Claro esbarraria na concentração do mercado móvel, já que a soma da TIM com qualquer uma delas reuniria mais da metade dos acessos do país. Para os analistas, esse obstáculo favorece uma estrutura que mantenha a TIM como concorrente independente.

O próximo sinal deve aparecer no primeiro trimestre de 2027, quando a Poste pretende apresentar o plano de negócios do grupo combinado. Até lá, os bancos trabalham com possibilidades diferentes, e a venda é apenas uma delas. A decisão dos italianos segue em aberto.

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