Taxas dos DIs caem com vitória democrata nos EUA e véspera de decisão do Copom sobre a Selic

Juros futuros acompanham o recuo dos Treasuries, com o de dez anos a 4,892%, enquanto o mercado aposta que o Copom vai manter a Selic e interromper os cortes.

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Juros | Foto: Reprodução/InfoMoney

As taxas dos DIs recuaram na quarta-feira (4), na esteira do alívio nos mercados globais de renda fixa após a vitória dos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos. Os agentes locais também se preparavam para a decisão de juros do Banco Central.

No fim da tarde, o DI para janeiro de 2028 estava em 14,42%, abaixo do ajuste de 14,629% da véspera. O DI para janeiro de 2035 marcava 15,03%, contra 15,485% na sessão anterior.

Democratas ganham controle do Congresso americano

Os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos EUA na terça-feira. As vitórias vieram com margens amplas em redutos republicanos, pela primeira vez em gerações, e dezenas de milhões de eleitores enviaram um recado duro ao presidente Donald Trump.

O avanço também apareceu em distritos considerados havia muito tempo seguramente conservadores, o que sinaliza uma mudança no cenário político do país.

Para o mercado, um Congresso dividido significa menos chance de mudanças abruptas na economia. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, os agentes financeiros reagiram bem a esse cenário por causa da previsibilidade que ele traz para a economia global.

Com a perspectiva de menos incertezas, os rendimentos dos Treasuries caíram e o movimento se espalhou pela renda fixa global. Às 16h47, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, recuava 6 pontos-base, para 4,892%.

Copom deve manter Selic e pausar cortes

Localmente, os agentes aguardavam o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcado para o final do dia. Uma pesquisa da Reuters apontou que o colegiado deve manter a taxa Selic, interrompendo a sequência de cortes para avaliar melhor as perspectivas econômicas depois da eleição presidencial.

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A XP avalia que a alta das expectativas de inflação, sobretudo para horizontes mais longos, como 2029, pede uma resposta da política monetária para evitar uma deterioração adicional adiante. Por isso, a instituição espera que o comunicado pós-reunião adote um tom mais duro (hawkish) e deixe em aberto as possibilidades para as próximas reuniões do Copom.

A XP projeta que a Selic fique em 13,75% até o final de 2027. A casa também vê um cenário incerto à frente. Segundo o relatório, o Copom pode retomar o ciclo de cortes se os ativos financeiros do Brasil se estabilizarem e a inflação melhorar, ou até elevar a taxa básica caso os fundamentos exijam.

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