Taxa de juros alta impulsiona a demanda por controle orçamentário, afirma especialista

O aumento recente da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) tem suscitado controvérsias e demonstrado a importância do controle dos gastos públicos, conforme apontado por Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, em entrevista à CNN Money na segunda-feira (2).
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A nova política, divulgada pelo governo federal, busca elevar a receita em aproximadamente R$ 20 bilhões em 2024, com projeção de duplicar esse valor em 2025. Latif aponta que a decisão é “claramente uma medida com o objetivo de arrecadação”, enfatizando que o efeito é notavelmente superior a ocorrências passadas.
A especialista aponta que a medida acarreta inúmeras distorções para o sistema econômico: “Você tem um impacto forte no setor produtivo elevando o custo do crédito, e isso é praticamente uma aberração quando a gente compara o Brasil com a experiência internacional”.
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A decisão também tem causado deterioração política, impactando a credibilidade do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Latif aponta que este episódio se acrescenta a outros que já vinham minando a confiança dos investidores na habilidade do governo de executar um plano de reformas fiscais.
Latif afirma que, sob a ótica da capacidade do ministro de proporcionar tranquilidade aos investidores, previsibilidade, um compromisso real com a disciplina fiscal e um ministro com habilidade política para conduzir uma agenda de ajuste fiscal, isso já vinha sendo comprometido.
A economista ressalta que o governo deveria ter implementado medidas de controle de gastos desde o começo, considerando que a avaliação inicial do governo vigente, de que não eram necessários ajustes nas despesas, estava errada.
Latif defende que, apesar do alcance restrito, o governo poderia ter explorado opções menos danosas para o mercado de crédito e a economia em geral: “Havia como ter realizado algo um pouco mais elaborado, mais cuidadoso”.
A especialista conclui que, considerando o cenário atual, espera-se que se alcance um “empasse” nas negociações entre governo e Congresso, buscando um equilíbrio entre os diversos interesses em jogo. Contudo, ela alerta que esta solução ainda estará “longe de ser uma situação ideal” para as finanças públicas do país.
Editoria:
Redação Economia
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