Tarcísio era o preferido de Washington, mas Flávio Bolsonaro chegou e embaralhou o jogo de Trump
A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos colocou o senador numa posição delicada diante do presidente americano, Donald Trump. A avaliação é do CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, que conversou com o WW. Para ele, o movimento bagunçou um cenário que, até então, parecia bem definido para o governo americano.
Na visão do analista, a equipe de Trump não tem um conhecimento detalhado da política interna brasileira. “Não existe esse conhecimento nesse grau”, afirmou. Ele explicou que a embaixada americana não costuma repassar esse nível de detalhe, e que os assuntos considerados prioritários em Washington acabam impedindo que essas informações cheguem a quem decide.
Tarcísio era o nome preferido de Washington
Aragão contou que, cerca de um ano antes de Flávio ser apontado como candidato, interlocutores ligados ao governo americano já davam a entender que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria a escolha mais adequada para a direita brasileira.
Ainda assim, o analista lembrou um traço marcante de Trump: o horizonte de planejamento dele é curto. “Trump faz uma análise, dá para uma ou duas semanas ou três semanas adiante e é isso”, disse Aragão.
Minerais raros entram na disputa com a China
Para o analista, a questão mais urgente, e que a presença de Flávio nos Estados Unidos acaba atrasando, são os minerais raros brasileiros. Ele afirmou que Trump precisa avançar nas negociações com o Brasil para evitar que a China amplie sua presença no país, sobretudo com o financiamento do processamento desses minerais dentro do território nacional.
Aragão também citou a estratégia de abrir espaço a outras companhias. “Eles querem abrir o mercado para outras empresas, assim como a Serra Verde”, explicou.
Flávio pode virar um obstáculo para Trump
Na conclusão, Aragão disse que Flávio, neste momento, tende a criar mais problemas do que soluções para Trump. Segundo ele, enquanto não surgir um novo líder da direita brasileira, seja pela narrativa política, seja pelo Senado, e que seja aceito pelo governo americano, Trump vai precisar lidar com a família Bolsonaro e com Flávio no exílio.
“O Flávio hoje virou um problema e até que um novo líder surja (…) ele vai ter que lidar com a família Bolsonaro e com o Flávio em exílio”, afirmou Aragão.
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