Projeto de R$ 5 bi prevê até 2 milhões de toneladas de potássio por ano no mar de Sergipe

A South Atlantic Potash mapeou nove alvos a 2,5 km abaixo do leito marinho, mas ainda não há reservas comprovadas nem decisão final de investimento.

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Armazém de potássio | Foto: Reuters

A South Atlantic Potash pretende explorar depósitos de potássio localizados abaixo do leito marinho da costa de Sergipe, em um projeto estimado em mais de R$ 5 bilhões. Segundo o governo de Sergipe, que divulgou as informações na terça-feira (27), a mineradora já identificou nove alvos exploratórios.

O empreendimento prevê produzir até 2 milhões de toneladas por ano de cloreto de potássio, insumo usado na fabricação de fertilizantes agrícolas. A iniciativa busca diminuir a dependência do Brasil em relação ao mineral importado.

Nove alvos mapeados na Bacia de Sergipe-Alagoas

A análise partiu de dados geológicos e de perfurações feitas antes pela indústria de petróleo e gás. Os depósitos ficam a cerca de 2,5 quilômetros abaixo do leito marinho, em uma área com profundidade de água próxima de 30 metros.

A empresa tem autorização da ANM (Agência Nacional de Mineração) para pesquisar cerca de 189 mil hectares. O investimento de mais de R$ 5 bilhões aparece no relatório de gestão de 2025 da Desenvolve-SE (Agência Sergipe de Desenvolvimento), estatal que apoia a estruturação do projeto.

Apesar do potencial, a iniciativa ainda está em fase de avaliação técnica conceitual. Para transformar os alvos em reservas, a empresa terá de fazer novas campanhas de sondagem, estimar formalmente os recursos minerais e checar a viabilidade econômica.

Por enquanto, os nove alvos não são reservas comprovadas, e não há decisão final de investimento anunciada.

Como seria a extração sem escavar o fundo do oceano

Ao contrário da mineração tradicional, o plano não inclui grandes escavações no fundo do mar. A técnica prevista é a lavra por dissolução, conhecida como solution mining, adaptada ao ambiente marítimo.

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Poços seriam perfurados até as camadas que guardam os sais de potássio, e água injetada por eles dissolveria parte do depósito. A mistura resultante, uma salmoura concentrada, voltaria à superfície e seguiria para uma unidade industrial em terra, onde passaria por evaporação e cristalização até separar os sais.

O cloreto de potássio seguiria para a cadeia de fertilizantes. O cloreto de sódio recuperado no processo poderia ser vendido como coproduto. A ausência de barragens de rejeitos, porém, não resolve todos os problemas ambientais, já que a salmoura residual precisará de manejo, com estudos sobre sua dispersão e possíveis efeitos no ambiente marinho.

Esses pontos serão analisados no licenciamento ambiental.

Brasil compra quase todo o potássio que usa

O país está entre os maiores consumidores mundiais de potássio, puxado pelo agronegócio, mas depende quase integralmente de fornecedores externos. Esse insumo vai principalmente para fertilizantes usados em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.

Essa dependência expõe o setor agrícola a variações internacionais de preço, a custos de logística e a possíveis interrupções no abastecimento. Pelas estimativas da South Atlantic Potash, a produção de 2 milhões de toneladas anuais atenderia cerca de 14% da demanda nacional, considerando o mercado que a empresa usa como referência.

Quais são as próximas etapas do projeto

A South Atlantic Potash tem um memorando de entendimento com a Desenvolve-SE para apoiar o desenvolvimento do empreendimento. A agência estadual afirmou ainda ter conversado com órgãos federais, entre eles a ANM e o Ibama, e tocado iniciativas de estruturação financeira.

Pela frente, estão as sondagens confirmatórias offshore, os estudos de pré-viabilidade e viabilidade, o desenvolvimento da engenharia, as autorizações ambientais e a captação de recursos. A empresa ainda não definiu data para o início da produção comercial, que depende da confirmação de depósitos economicamente aproveitáveis e da conclusão das etapas técnicas, ambientais e financeiras.

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