Soja cai em Chicago com pressão do farelo e avanço da colheita nos EUA

Farelo de soja acumula queda de 6,69% na semana e milho recua com estoques americanos acima do esperado.

03/10/2026 00:27

3 min

avanço da colheita de soja nos Estados Unidos também contribuiu para o movimento negativo
avanço da colheita de soja nos Estados Unidos também contribuiu ...
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O mercado de soja fechou a semana em queda na bolsa de Chicago. O contrato futuro para novembro recuou 0,45% nesta sexta – feira (02), encerrando o dia a US 12,78 por bushel. O movimento foi puxado pela pressão persistente sobre o farelo de soja, que vem sofrendo com dados de estoques de milho nos Estados Unidos acima do esperado.

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De acordo com a consultoria Granar, a desvalorização do farelo é o principal motor da baixa. O produto perdeu espaço no mercado de ração animal depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou números que indicam maior disponibilidade de milho.

O contrato do farelo para dezembro caiu US 6,39 na sessão e fechou a US 383,05 por tonelada. Na comparação com o fechamento da semana anterior, a queda acumulada chega a 6,69%.

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Milho pressiona com estoques e clima favorável

O milho também fechou o pregão em baixa. O contrato para dezembro caiu 0,90% e terminou negociado a US 4,97 por bushel. A pressão veio dos estoques americanos, que surpreenderam o mercado. O USDA apontou 53,22 milhões de toneladas de milho armazenadas em 1º de setembro — bem acima da estimativa de analistas privados, que era de 48,72 milhões de toneladas.

O volume não foi antecipado pelas projeções oficiais e pesou sobre as cotações. O cenário acontece num momento em que a produção dos EUA deve superar novamente a marca de 400 milhões de toneladas. A previsão de tempo seco para os próximos sete dias no Centro – Oeste americano também favorece o avanço da colheita, o que aumenta a oferta do cereal no mercado.

Segundo a Granar, uma eventual intensificação da queda pode levar produtores a acelerar as vendas. A StoneX revisou para baixo sua estimativa para a safra americana de milho, de 411,67 milhões para 409,34 milhões de toneladas. A produtividade média também foi ajustada, de 114,80 para 114,30 quintais por hectare.

Mesmo com os cortes, os números da consultoria ainda superam as projeções do USDA, que são de 401,33 milhões de toneladas e 112,04 quintais por hectare.

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Trigo se mantém estável, mas acumula semana negativa

O trigo encerrou a sessão praticamente estável em Chicago. O contrato para dezembro subiu apenas 0,04% e fechou a US 6,83 por bushel. Apesar da calmaria no pregão, a semana foi negativa para o cereal nas bolsas americanas, segundo a Granar.

Dois fatores ajudam a explicar a pressão: a fraqueza do milho, que também é usado na alimentação animal, e a valorização do dólar frente ao euro nas últimas semanas. O câmbio mais forte aumentou as expectativas de participação do trigo da Europa Ocidental em uma licitação da Arábia Saudita para a compra de 535 mil toneladas.

Informações da Reuters citadas pela Granar indicam que as restrições às exportações do Mar Negro têm levado importadores a buscar alternativas. O Egito, por exemplo, voltou a demonstrar interesse pelo trigo francês depois de adquirir vários carregamentos recentemente.

Um comerciante alemão ouvido pela agência afirmou que compradores egípcios negociaram novas aquisições nesta semana, com ofertas próximas de US 330 por tonelada.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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