Aluguel, comida e energia mais caros levam França, Espanha e Portugal às ruas em novembro

Sindicatos e entidades de defesa do direito à moradia de sete países europeus convocaram, na terça-feira (3), três dias de protestos coordenados contra a alta do custo de vida no continente. As manifestações estão previstas para os dias 20, 21 e 22 de novembro, com participação de movimentos da França, Espanha, Reino Unido, Bélgica, Itália, Portugal e Grécia.
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Os motivos vão do preço dos aluguéis ao encarecimento da comida e da energia, passando pela perda de poder de compra e pela insatisfação com os serviços públicos. Representantes dos sete países se reuniram em Paris, em encontro organizado pela Confederação de Sindicatos de Inquilinos do Estado espanhol.
Em comunicado conjunto, as entidades criticaram a carestia e disseram temer o retorno da austeridade, ligada às exigências dos credores da dívida pública e ao aumento dos gastos militares.
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Despejo de aposentada de 87 anos acende protestos na Espanha
Na Espanha, a crise habitacional virou o principal foco de revolta. O caso que mais repercutiu foi o despejo de Maricarmen Abascal, aposentada de 87 anos que morreu poucos dias depois de deixar o apartamento onde vivia, em Madri. A partir daí surgiram manifestações e acampamentos pelo direito à moradia em várias cidades.
Na mesma terça-feira, a polícia espanhola retirou o acampamento que estava montado havia cinco semanas na Puerta del Sol, uma das praças mais importantes da capital. Cerca de 400 policiais, bombeiros e assistentes sociais participaram da ação. O governo de Madri informou que 334 pessoas saíram do local e que duas foram presas.
Os manifestantes disseram ter sofrido violência, mas as autoridades negaram que tenha havido confrontos.
A pressão levou as duas maiores centrais sindicais espanholas a marcar, juntas, uma greve geral para 11 de novembro. Será a primeira paralisação desse tipo organizada pelas duas entidades em 14 anos, e vai acontecer poucas semanas antes das eleições gerais antecipadas pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, marcadas para 29 de novembro.
Franceses e italianos também saem às ruas
Na França, estudantes do ensino médio, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos fizeram protestos em três fins de semana seguidos. Uma nova mobilização nacional está marcada para 5 de novembro, enquanto o governo é cobrado a responder à queda do poder aquisitivo e ao aumento das despesas do dia a dia.
“Milhões de pessoas sairão às ruas e demonstraremos que são os povos que devem governar, e não os bilionários”, disse Benjamin Ball, integrante da coordenação dos Coletes Amarelos que participou da reunião em Paris.
Na Itália, o movimento começou com protestos de trabalhadores portuários e depois chegou a outras categorias. Chiara Capretti, representante do sindicato USB, contou que a onda culminou em uma greve geral no dia 30 de outubro, com centenas de milhares de estudantes e trabalhadores nas ruas. “O governo não dá resposta a ninguém”, afirmou.
Em Portugal, organizações estudantis e grupos contrários aos combustíveis fósseis também preparam mobilizações. Já os movimentos de inquilinos cobram medidas contra a alta dos aluguéis e mais acesso à moradia.
Editoria:
Redação Internacional
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