Sinal NBS 260108 intrigou astrônomos chineses, mas a equipe agora aponta interferência terrestre

Equipe liderada por Zi-Qi Li analisou 139.127 detecções do radiotelescópio FAST e encontrou sinais semelhantes em outros três alvos, com falhas de polarização.

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Cientistas analisaram emissões cósmicas em busca de tecnoassinaturas espaciais | Foto: Reprodução/Catraca Livre

Astrônomos chineses reexaminaram observações de 33 sistemas planetários distantes feitas com o radiotelescópio FAST e isolaram um sinal chamado NBS 260108. Ele teria vindo da direção da estrela K2-155, situada a cerca de 238 anos-luz da Terra.

O sinal despertou interesse imediato, mas a checagem posterior enfraqueceu a hipótese de uma origem extraterrestre. A própria equipe passou a apontar fontes terrestres como explicação mais provável, o que mudou o rumo do caso.

Frequência estreita e detecção isolada chamaram a atenção

Para rastrear possíveis tecnoassinaturas, a equipe usou algoritmos de inteligência artificial sobre mais de 139.127 detecções iniciais. Entre os registros, o NBS 260108 se destacou por sua precisão.

O sinal apareceu em 1.148,4167 MHz, uma frequência bem delimitada, típica de transmissões artificiais de banda estreita. Os pesquisadores também registraram uma leve variação causada pelo efeito Doppler, o que sugere movimento relativo entre a fonte e o observatório.

Outro ponto pesou na avaliação: a detecção ocorreu de forma isolada no feixe principal do observatório. Esse comportamento é o que se esperaria de um emissor distante, e a assinatura limpa se sobressaiu entre milhares de detecções comuns, o que fez do caso um forte candidato a investigação.

Repetições em outros alvos e falhas de polarização

Ao avançar, a equipe liderada por Zi-Qi Li fez verificações cruzadas nos bancos de dados originais. Eles encontraram transmissões com características operacionais semelhantes em três outros alvos estelares distintos, o que surpreendeu os pesquisadores.

A análise também mostrou diferenças relevantes entre os canais de polarização do receptor. Esse padrão incoerente reduziu a chance de o sinal ser uma emissão genuína de outra civilização e indicou, em vez disso, algum tipo de interferência tecnológica nas proximidades.

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Satélites e equipamentos terrestres podem imitar sinais do espaço

A quantidade de equipamentos modernos em órbita baixa complica o trabalho dos radiotelescópios no mundo inteiro. Centenas de satélites e redes terrestres operam em frequências próximas, e parte de seus ruídos pode se parecer com transmissões tecnológicas vindas do espaço profundo.

Aparelhos eletrônicos locais e componentes da própria estação receptora também geram anomalias nos registros. Entre as fontes mais frequentes estão o tráfego de satélites artificiais, as interferências de redes de telecomunicações no solo e as oscilações instrumentais nos circuitos dos receptores.

Mesmo com blindagens cuidadosas nos instrumentos, os pesquisadores precisam recorrer a filtros computacionais cada vez mais sofisticados para separar essas distorções dos sinais reais. Na prática, a triagem deixou de ser uma etapa simples e passou a exigir validação repetida.

O que o caso mostra sobre a busca por vida extraterrestre

Segundo a publicação divulgada no periódico The Astronomical Journal, a busca por inteligência extraterrestre exige rigor analítico extremo. Cada candidato promissor precisa passar por testes contínuos de validação antes de ser considerado.

Mesmo sem confirmar transmissões alienígenas, o estudo do NBS 260108 ajuda a aprimorar os algoritmos usados em novas varreduras espaciais. A exploração de outros sistemas planetários segue ampliando a capacidade de detecção da ciência.

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