Como a NASA concluiu que o meteorito rosa Teghaza 001, achado no Mali, veio de Marte

Um meteorito cor-de-rosa achado em 2022 no deserto do Saara tem cerca de 4,1 bilhões de anos e entrou para o grupo dos três meteoritos marcianos mais antigos já encontrados na Terra. A rocha, batizada de Teghaza 001, foi estudada por cientistas da NASA.
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O resultado foi publicado na revista científica Science e repercutiu na CBS News. Os dados indicam que havia água circulando em Marte muito cedo, quando o Sistema Solar ainda era jovem.
Pedra rosada veio do norte do Mali
O nome vem da planície de sal onde a peça foi encontrada, no norte do Mali. Pela CBS News, o meteorito pesa quase 900 gramas e chama atenção justamente pela cor rosada, pouco comum em meio à areia do deserto.
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A agência Reuters, em texto reproduzido pelo jornal Cyprus Mail, classifica a peça como uma rocha ígnea avermelhada. Ela apareceu em oito fragmentos, sendo que o maior tem o tamanho de um punho fechado. O ponto de achado fica a cerca de 34 quilômetros do vilarejo de Bir Chali.
Nenhuma das duas reportagens diz o que provoca essa coloração. Segundo a Reuters, os minerais predominantes são o feldspato e o piroxênio, além de pequenos cristais de zircão que contêm urânio.
Como a análise associou a rocha a Marte
A comparação partiu do que a NASA já tem registrado sobre o planeta vermelho. Conforme a CBS News, a composição química e mineralógica do Teghaza 001 coincide com amostras e dados levantados pelas missões marcianas da agência.
A combinação de minerais vulcânicos, inclusive os cristais de zircão, também bate com o que a sonda Mars Reconnaissance Orbiter registrou nas terras altas do sul do planeta. Com isso, a peça passa a integrar uma lista de cerca de 435 meteoritos marcianos conhecidos na Terra, número citado pela CBS e pela Reuters.
O percurso até o Saara tem uma sequência conhecida pelos pesquisadores. Um impacto arrancou o fragmento da superfície marciana, que vagou pelo espaço, cruzou a órbita terrestre e atravessou a atmosfera sem se desfazer. Quando isso ocorreu, porém, ninguém sabe dizer.
Idade foi medida em grãos menores que uma unha
O estudo tem como primeira autora Yang Liu, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, na Califórnia. Para datar a rocha, a equipe acompanhou a transformação do urânio em chumbo dentro dos cristais de zircão, um tipo de relógio natural que segue um ritmo conhecido.
De acordo com a CBS News, o professor de geoquímica Francis Tissot, do Caltech, contribuiu com um método que analisa os grãos minerais um a um. Essas amostras saíram de um pedaço menor que a unha de um dedo. Foi assim que os pesquisadores chegaram ao número de 4,1 bilhões de anos.
A Terra e Marte surgiram há cerca de 4,5 bilhões de anos, e o Teghaza 001 é, portanto, um registro da infância dos dois planetas. Só três meteoritos marcianos conhecidos pertencem a esse período inicial. Um deles foi encontrado na Antártida em 1984, e a Reuters afirma que o novo estudo indica ser provável que o Teghaza 001 seja o mais antigo dos dois.
Marte mais quente e úmido há bilhões de anos
Hoje o planeta é frio e seco. Os isótopos de oxigênio e hidrogênio preservados no meteorito, porém, mostram que, há mais de 4,1 bilhões de anos, a água se infiltrava na crosta e se misturava à rocha derretida vinda do manto, processo parecido com o que ocorre na Terra.
Em declaração à Reuters, Yang Liu classificou o meteorito como “uma testemunha de uma época em que Marte provavelmente era mais quente e úmido do que foi durante a maior parte de sua história”. Já o coautor Lee Saper, do Centro de Pesquisa Ames da NASA, fez questão de separar os achados.
Segundo ele, eles mostram que o Marte primitivo tinha ingredientes e condições para abrigar vida, mas não dizem se a vida existiu por lá.
Mapa da NASA aponta terras altas do hemisfério sul
A origem exata do fragmento nunca poderá ser confirmada, mas há indícios. A NASA divulgou um mapa com 13 locais de Marte compatíveis com o Teghaza 001, elaborado a partir de dados da Mars Reconnaissance Orbiter. Todos ficam nas terras altas do hemisfério sul.
Liu citou à Reuters a região próxima da bacia de Hellas, uma das maiores crateras de impacto do planeta. A pesquisa também dialoga com o trabalho dos robôs em solo marciano. O jipe Perseverance, por exemplo, já mostrou que as rochas de Marte entraram em contato com água em mais de um momento da história do planeta.
Para Liu, os meteoritos são as únicas amostras de Marte disponíveis aos cientistas. Eles permitem conferir em laboratório aquilo que satélites e robôs observam à distância. “Só arranhamos a superfície”, disse Liu à CBS News.
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Redação Entretenimento
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