Copom deve cortar a Selic nesta semana, mas Marcela Kawauti vê dezembro em aberto

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar a Selic na reunião da terça e quarta-feira, mas um novo corte em dezembro vai depender do cenário fiscal, do dólar e das expectativas de inflação. A avaliação é de Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, que enxerga menos margem para o Banco Central afrouxar a política monetária com a piora desses indicadores.
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Para a economista, o corte desta vez já está precificado. “Eu acredito que ele corta agora, porque isso já está na conta”, afirma. A mudança de cenário, porém, pode aparecer nas projeções do BC já na próxima reunião, porque as expectativas de mercado usadas nos modelos da instituição serão revisadas ao longo desta semana.
Decisão de dezembro ainda está em aberto
Na avaliação da economista, a desaceleração da atividade abre espaço para juros menores. Esse efeito, no entanto, pode ser anulado pela desvalorização do real e pela piora das expectativas de inflação.
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Uma combinação de deterioração fiscal, estímulo maior à demanda e dólar mais caro tende a empurrar a inflação projetada para cima, o que limita os cortes da Selic. “Não acho que encerra o ciclo, mas ele funciona de verdade como limitador”, diz Kawauti sobre o peso desse cenário na trajetória dos juros.
Se essas pressões seguirem até dezembro, o BC pode perder margem para a última redução do ano, mesmo com a economia perdendo fôlego. Kawauti acredita que a mudança de perspectiva deve constar na comunicação do Copom, ainda que o corte esperado seja confirmado. O efeito também pode alcançar 2027, já que a piora tende a restringir novas quedas no ano que vem e dificultar que a Selic chegue aos patamares que o mercado projetava.
Juros altos podem frear a economia em 2027
Manter os juros elevados por mais tempo também pesa sobre a atividade. Segundo a economista, a desaceleração prevista para 2027 seria aliviada por uma Selic mais baixa, mas esse alívio perde força se a inflação travar os cortes.
Nesse quadro, ela projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)perto de 1% no ano que vem, com inflação mais alta e atividade quase parada. Para ela, uma recessão não é o cenário mais provável, mas segue no radar, sobretudo se os juros altos vierem acompanhados de mais inadimplência das famílias e de dificuldades para as empresas.
Mesmo sem recessão, Kawauti considera bastante provável que o PIB registre pelo menos um trimestre de queda em relação aos três meses anteriores.
Editoria:
Redação Economia
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