Saneamento no Rio Grande do Sul: Aegea enfrenta desafios e busca universalização até 2033

Desafios do Saneamento no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul, embora ocupe a quinta posição no ranking de geração de riqueza do Brasil, apresenta números preocupantes em relação ao saneamento. Atualmente, apenas 34,7% do esgoto gerado no estado é coletado, e apenas 25,4% desse volume é tratado.
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Em resposta a essa situação, a Aegea, que assumiu as operações após a privatização da Corsan, busca triplicar a cobertura de esgoto para atender às metas de universalização estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento.
Para contextualizar, a média nacional de coleta de esgoto é de 56%. No último Ranking do Saneamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, Porto Alegre caiu 14 posições, passando do 49º para o 63º lugar, o que a coloca entre as cidades com as piores variações negativas.
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Essa queda foi impulsionada pela deterioração dos indicadores de esgoto e pelas perdas de água.
Investimentos e Metas até 2033
O Marco Legal do Saneamento, sancionado em 2020, já está na metade do prazo para a universalização dos serviços de água e esgoto, gerando incertezas sobre a capacidade de atingir as metas até 2033. Para o Rio Grande do Sul, será necessário triplicar a cobertura atual, o que requer investimentos estimados em R$ 21 bilhões.
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Contudo, o desafio é significativo, considerando que o orçamento público do estado prevê cerca de R$ 5 bilhões para investimentos em todas as áreas neste ano.
Desde a privatização da Corsan em 2023, o ritmo de investimentos mudou, com cerca de R$ 4,3 bilhões aplicados, um valor muito superior aos 450 milhões por ano que eram investidos pela estatal. A Aegea planeja investir aproximadamente R$ 15 bilhões até 2033, focando na modernização das redes de abastecimento de água e na expansão da coleta e tratamento de esgoto nos 317 municípios atendidos.
Intervenções Estruturantes e Impactos Socioeconômicos
Leandro Marin, vice-presidente Regional do Grupo Aegea, destacou que o principal desafio é expandir a rede em quase 20 mil quilômetros, além de recuperar a infraestrutura existente, que historicamente não recebeu a devida atenção e perdia quase 50% da água tratada.
A companhia também desenvolveu um plano de resiliência contra enchentes, considerando os eventos climáticos previstos para 2024.
Recentemente, diversas intervenções estruturantes foram realizadas em diferentes regiões do estado. Em Panambi, a construção de uma nova Estação de Tratamento de Água triplicou o abastecimento, beneficiando mais de 45 mil pessoas. Na Serra Gaúcha, a ampliação da ETA II em Gramado e Canela dobrou a capacidade de produção de água, enquanto em Osório, a implantação de 6,3 quilômetros de redes levou água tratada a moradores do bairro Serramar.
Em Imbé, uma nova Estação de Tratamento de Esgoto aumentou a cobertura de esgotamento sanitário de 0,5% para 30%, reduzindo o lançamento de esgoto na natureza.
De acordo com o Instituto Trata Brasil, os investimentos em saneamento terão um impacto positivo no PIB do estado, com a universalização do saneamento podendo gerar até R$ 40,7 bilhões em ganhos socioeconômicos, além de reduzir gastos em saúde e aumentar a produtividade.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



