Ri Happy busca renegociar dívida de R$ 827,4 milhões após aval da Justiça de SP

Grupo tem 90 dias para reunir apoio da maioria dos credores, e ações e execuções ligadas às dívidas do plano ficam suspensas por 180 dias.

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Entre os pontos que justificam a crise financeira estão os efeitos da pandemia, restrições às lojas físicas e efeitos macroeconômicos.

A Justiça de São Paulo autorizou na sexta-feira (23) o processamento da recuperação extrajudicial da Ri Happy e de outras cinco empresas do grupo, em consolidação processual. A decisão é da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

A varejista de brinquedos entrou com o pedido de homologação do plano no domingo (18) para renegociar uma dívida de R$ 827,4 milhões. Controlada pela Blu Sun Capital Partners, a rede tem mais de 300 lojas, entre franquias e operações próprias.

Grupo tem 90 dias para obter apoio dos credores

A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira entendeu que os requisitos legais para abrir o procedimento foram cumpridos. Ela deu ao grupo prazo de 90 dias para reunir o apoio da maioria dos credores. As ações e execuções ligadas às dívidas incluídas no plano ficam suspensas por 180 dias.

“A blindagem patrimonial visa assegurar ambiente negocial protegido, obstando atos expropriatórios individuais desordenados que esvaziem a empresa ou inviabilizem o plano antes de sua apreciação coletiva, resguardando o princípio da preservação da atividade e a paridade concursal”, escreveu a magistrada.

O plano abrange créditos e obrigações de natureza quirografária. Além da Ri Happy, assinam o pedido a também varejista PBKids Brinquedos, a Partout Administração de Franquias e Bens, a News Toys Comércio Fistribuição e Importação, a Brincar Marcas e Participações e a DRH Casa de Festa.

Cada empresa precisa da adesão dos próprios credores

A juíza permitiu que os pedidos das seis empresas tramitem juntos, mas rejeitou a consolidação substancial. Na prática, cada companhia terá de comprovar a adesão da maioria de seus próprios credores.

Por causa do alto valor envolvido e da complexidade do caso, a decisão nomeou uma administradora judicial. Ela vai fiscalizar o procedimento e conferir as adesões ao plano.

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Depois de comprovado o apoio da maioria, será publicado um edital, e credores contrários terão 30 dias para contestar. Só então a Justiça decidirá se homologa o plano.

Pandemia e Selic de 15% pesaram nas contas da Ri Happy

No pedido, a empresa afirmou passar pela necessidade de reestruturação ordenada de seu passivo, diante de fatores econômico-financeiros e mercadológicos que afetaram suas atividades e “sua capacidade de fazer frente à dívida abrangida neste procedimento”.

Segundo o documento, a pandemia de Covid-19 provocou um “descompasso severo na estrutura financeira do varejo”, com restrições às lojas físicas.

O grupo diz que, em agosto de 2023, já havia renegociado R$ 292 milhões em dívidas bancárias. A alta da Selic nos últimos dois anos, até 15% em junho de 2025, piorou o quadro. “Esse movimento elevou o custo dos financiamentos, inclusive da dívida alongada em 2023, e agravou a crise econômico-financeira. É o caso do Grupo Ri Happy, que, ainda em recuperação dos efeitos da pandemia, passou a enfrentar um serviço da dívida (cerca de R$ 70 milhõesano) incompatível com seu plano de negócios.”

A varejista também cita alavancagem financeira, efeitos macroeconômicos e crédito mais restrito ao consumidor. Juros altos e famílias endividadas enfraqueceram as receitas do setor: com base em dados da Scanntech, a empresa aponta queda de 15,5% na venda de brinquedos em 2024. Completam a lista a concorrência de produtos asiáticos mais baratos vendidos por plataformas como Shopee e Ali Express, a alta carga tributária e o efeito em cadeia no varejo.

Rede fatura R$ 1,2 bilhão por ano e emprega 2,6 mil

A Hi Happy surgiu em 1998, em São Paulo. Hoje tem 204 lojas próprias e 88 franqueadas, que juntas empregam diretamente mais de 2,6 mil pessoas. A receita líquida média é de R$ 1,2 bilhão por ano.

A operação se divide entre Ri Happy e PBKids, no varejo físico e digital; Partout, que cuida das franquias; New Toys, na importação e distribuição; Brincar, dona das principais marcas do grupo; e Divertudo, responsável pela recreação infantil e pelas casas de festas ligadas às lojas.

Em 2018, alguns anos depois de ser comprada pelo fundo de private equity, a empresa deu início ao processo de abertura de capital na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A oferta acabou suspensa pela volatilidade do mercado e pelas incertezas sobre o varejo na época.

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