Pesquisa Harris: corrupção é a 2ª maior preocupação do eleitor nos EUA, atrás só do custo de vida
A corrupção no governo aparece como a segunda maior preocupação dos eleitores nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, atrás só do custo de vida. O levantamento é do instituto Harris e foi divulgado pelo jornal britânico The Guardian na sexta-feira (30).
Pela pesquisa, 76% dos entrevistados acreditam que os políticos se preocupam mais em enriquecer do que em melhorar a economia. O custo de vida foi o fator principal para 36% na hora de votar. A corrupção ficou à frente de temas como imigração, aborto e segurança, e quase nove em cada dez pessoas a veem como problema.
Republicanos são apontados como alvo maior das suspeitas
O peso da avaliação recai sobre o Partido Republicano, legenda do presidente Donald Trump. Para 40% dos eleitores, a sigla tem um problema maior de corrupção. Já 21% citam os democratas, e 32% enxergam o problema na mesma medida nos dois partidos.
Até entre os republicanos, 29% admitem que o próprio partido enfrenta a questão em grau maior. Entre os independentes, eleitores que podem definir disputas apertadas, a diferença é mais clara: 34% ligam a corrupção aos republicanos, contra 13% que pensam o mesmo dos democratas.
Outros 42% desses independentes dizem que as duas legendas têm o problema na mesma proporção.
Doadores e tarifas aparecem entre as prioridades
A influência de grandes financiadores está entre as maiores inquietações dos entrevistados. Dados do Brennan Center for Justice, citados pelo Guardian, mostram que apenas 40 doadores puseram US$ 2,5 bilhões nas disputas deste ano.
Na pesquisa Harris, a medida mais escolhida para enfrentar o custo de vida foi limitar o poder de empresas e lobistas sobre as decisões do governo, com 32%. Em seguida vêm a retirada de tarifas sobre importações, com 29%, e a restrição a aumentos de preços pelas empresas, com 24%.
Um levantamento do jornal britânico Financial Times, feito com a Focaldata no início deste mês, chegou a um resultado parecido. Cerca de 69% dos eleitores registrados se disseram “muito” ou “um pouco” preocupados com “corrupção, autogerenciamento ou conflitos de interesse” no governo Trump.
Democratas ligam suspeitas ao bolso e Casa Branca rebate
Na reta final da campanha, os democratas tentam conectar as suspeitas de corrupção às dificuldades financeiras da população. Uma pesquisa do Navigator Research, organização alinhada ao partido, indicou que 81% acreditam que a corrupção no governo aumenta seus gastos pessoais.
Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff, que tenta a reeleição, questiona o apoio federal a empresas ligadas aos filhos do presidente. Um dos exemplos é um empréstimo de US$ 620 milhões do Pentágono à Vulcan, empresa de terras raras que recebeu investimento da 1789 Capital, companhia de capital de risco da qual Donald Trump Jr. é sócio.
O Departamento de Defesa afirmou que nem o filho do presidente nem a gestora participaram das negociações. Trump Jr. também negou ter negociado com o governo em nome das empresas da carteira.
A Casa Branca rejeita as críticas. Em declaração ao Financial Times, a porta-voz Lauren Bis acusou os democratas no Congresso de não agir contra fraudes e abusos no governo. “O presidente Trump lançou uma guerra total contra a fraude em todo o governo federal, responsabilizando os criminosos e economizando bilhões de dólares dos contribuintes”, disse Lauren Bis.
Os republicanos, por sua vez, também usam denúncias de enriquecimento de adversários em suas propagandas eleitorais.
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