PEC da Segurança passa em dois turnos no Senado e dá a Lula fôlego em pauta que gerava dúvidas

Para o cientista político Elias Tavares, a votação mostra que a aproximação com Alcolumbre e Motta já rende frutos e amplia o protagonismo do governo federal.

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Plenário do Senado | Foto: Reprodução/Veja

O Senado aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o que o cientista político Elias Tavares classifica como uma vitória política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o especialista, a votação mostra que a aproximação do governo com o comando do Congresso começa a render resultados concretos.

A avaliação foi feita por Elias Tavares no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. Uma das principais apostas do Palácio do Planalto avançou justamente num momento em que o governo enfrentava dúvidas sobre sua capacidade de aprovar prioridades no Senado.

Articulação com Alcolumbre e Motta pesa no resultado

Na visão de Tavares, a aprovação ganha peso porque ocorreu num Senado onde o governo previa dificuldades. Ele entende que a votação revela a habilidade de Lula para negociar com parlamentares e lideranças do Congresso.

Segundo o cientista político, a aproximação entre Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, foi construída principalmente perto do segundo turno das eleições presidenciais. Para ele, Alcolumbre teve papel central nessa virada. “Essa entrega de Davi Alcolumbre ao governo, essa aproximação que foi feita muito próxima ali do segundo turno entre Hugo Motta, Davi Alcolumbre, o presidente Lula está mostrando que tem esses frutos”, disse o especialista.

Segurança pública volta ao centro da agenda do Planalto

Tavares avalia que a PEC chega num momento em que Lula quer ampliar o protagonismo do governo federal no debate sobre segurança. Ele observa que a proposta se encaixa na reorganização da área dentro do Executivo e dá ao presidente mais uma ferramenta política para sustentar essa pauta.

“Ele está trazendo a pauta para si”, avaliou o cientista político. Na leitura dele, o tema seguirá ocupando espaço relevante no debate político, e a aprovação permite ao governo atuar com mais força nele.

Governadores devem disputar protagonismo na implementação

Apesar de tratar a aprovação como vitória, Tavares lembra que a execução da agenda deve enfrentar resistência, sobretudo na relação entre o governo federal e os estados. O ponto mais sensível, segundo ele, está nas disputas sobre a atuação das forças de segurança.

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“A gente sabe que será ainda muito polêmico. Os governadores vão requerer ali o seu protagonismo”, afirmou o cientista político.

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