Universidade de Nottingham cria gel que regenera o esmalte dos dentes usando minerais da saliva

Testado em laboratório, o material imita a mastigação e o contato com ácidos, mas ainda precisa de validação clínica; a startup Mintech-Bio mira 2027.

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Close-up of dentist examining female patient teeth | Foto: Reprodução/Exame
Close-up of dentist examining female patient teeth | Foto: Repro...
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Cientistas da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, criaram um gel que regenera o esmalte dos dentes, a camada protetora que não se refaz sozinha depois de perdida. A tecnologia aproveita minerais da saliva para reconstruir a estrutura dentária e pode ajudar a evitar cáries e diminuir a sensibilidade.

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O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications.

Em testes de laboratório, o esmalte regenerado teve propriedades mecânicas parecidas com as do tecido natural. O desempenho se manteve em situações que imitam a mastigação, a escovação e o contato com alimentos ácidos. Os pesquisadores pretendem levar a tecnologia ao mercado pela startup Mintech-Bio, com previsão de lançar o primeiro produto em 2027.

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Ainda assim, o gel precisa passar por validação clínica antes de virar tratamento odontológico estabelecido.

Como o gel age sobre o dente

O material foi pensado para repetir processos biológicos que formam o esmalte na infância. Ao contrário dos tratamentos tradicionais com flúor, a fórmula não leva essa substância. Em vez disso, usa proteínas que imitam moléculas responsáveis pela formação do esmalte.

Depois de aplicado, o produto cria uma película fina e resistente, que consegue entrar em fissuras e ocupar espaços microscópicos. Essa estrutura atrai íons de cálcio e fosfato, minerais já presentes na saliva, e os organiza em novos cristais. O processo recebe o nome de mineralização epitaxial: os cristais crescem alinhados ao que já existe no dente, o que permite que o material se una à superfície.

Segundo os pesquisadores, essa organização é fundamental para recuperar a resistência e a arquitetura microscópica de um esmalte saudável.

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Por que o esmalte não se recupera sozinho

O esmalte forma a camada externa que resiste a desgastes físicos, químicos e térmicos. Diferentemente de ossos e outros tecidos, ele não conta com células vivas capazes de reconstruí-lo depois que os dentes se desenvolvem por completo.

A saliva até repõe parte dos minerais perdidos em fases iniciais de desgaste, mas o organismo não consegue recompor quantidades relevantes de esmalte já destruído. Vernizes de flúor e produtos de remineralização protegem os dentes e corrigem perdas minerais iniciais, porém não refazem por completo a camada perdida.

O novo gel tenta ir além disso, estimulando a formação de uma estrutura mineral parecida com a original.

Efeito sobre a dentina e a sensibilidade

Além de regenerar o esmalte, o material mostrou potencial para formar uma camada mineral sobre a dentina exposta, tecido que fica logo abaixo do esmalte. A dentina tem pequenos canais que levam estímulos aos nervos do dente. Quando fica à mostra, provoca sensibilidade com alimentos quentes, frios, doces ou ácidos.

Para os pesquisadores, uma camada parecida com o esmalte pode aliviar esse desconforto.

A tecnologia também poderá melhorar a fixação de restaurações dentárias. Como a deterioração do esmalte está por trás do surgimento de cáries, a reconstrução dessa camada pode abrir uma nova frente de prevenção. Ainda assim, os resultados não mostram que o gel elimine cáries nem que substitua os tratamentos já disponíveis.

Resistência do esmalte regenerado se aproxima do natural

A equipe testou as propriedades mecânicas do material em experimentos que reproduziram o dia a dia do paciente, como mastigação, escovação e exposição a alimentos ácidos. O esmalte regenerado respondeu de forma parecida à do esmalte saudável.

Segundo Abshar Hasan, pesquisador da Universidade de Nottingham e principal autor do estudo, o gel faz cristais minerais crescerem de maneira organizada, o que devolve características da estrutura original. Essa capacidade separa a tecnologia de métodos que apenas depositam minerais sobre a superfície do dente.

Mesmo assim, o estudo reconhece que os testes de laboratório não comprovam eficácia e durabilidade em pacientes.

Primeiro produto está previsto para 2027

O material foi desenvolvido para uma aplicação rápida e simples, parecida com a dos tratamentos à base de flúor que dentistas já usam. A fórmula também foi planejada para produção em larga escala e para se adaptar a diferentes produtos odontológicos.

Segundo Alvaro Mata, professor de Engenharia Biomédica e Biomateriais da Universidade de Nottingham e líder da pesquisa, a equipe deu início à comercialização por meio da startup Mintech-Bio. Os pesquisadores afirmam que o primeiro produto deve chegar ao mercado em 2027.

Até lá, porém, ainda faltam etapas de desenvolvimento e validação clínica para que o gel se torne um tratamento estabelecido.

A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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