Jardim em casa reduz em cerca de 7% o risco de diabetes tipo 2, aponta estudo com 400 mil pessoas

Para a geriatra Erika Satomi, do Einstein, a associação é indireta: quem convive com áreas verdes tende a se mexer mais e ficar menos tempo sentado.

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Homem de casaco escuro e jeans caminha por trilha de terra em parque arborizado, com grama verde e folhas secas nas laterais, sob luz solar | Foto: Reprodução/Superinteressante
Homem de casaco escuro e jeans caminha por trilha de terra em pa...
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Ter um jardim em casa ou morar em região com vários parques por perto pode estar associado a menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. A sugestão vem de um estudo publicado na revista BMC Public Health, que acompanhou mais de 400 mil pessoas no Reino Unido por cerca de 15 anos.

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Moradores de áreas com mais jardins residenciais tiveram risco aproximadamente 7% menor de desenvolver a doença. Já entre os participantes que tinham três ou mais parques em um raio de 800 metros da residência, a redução do risco foi de 5,7%.

Por que o verde pode fazer diferença

Segundo a geriatra Erika Satomi, do Einstein Hospital Israelita, o diabetes tipo 2 está ligado a menor atividade física, à obesidade e a hábitos alimentares piores, mais pró-inflamatórios. Ela observa que quem frequenta espaços verdes tende a ser mais ativo física e socialmente, a ter menos exposição a poluentes e a ficar menos tempo sentado.

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Isso não quer dizer que ter um jardim previna sozinho a doença. A associação identificada no estudo provavelmente acontece de forma indireta. Uma rotina ativa ajuda sobretudo pela redução da gordura corporal e da resistência à insulina, fatores ligados ao desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Há ainda evidências de que o contato com áreas verdes se relaciona à redução do cortisol e da pressão arterial, além de mudanças em marcadores cardiovasculares e aumento da adiponectina, substância associada à proteção metabólica. Mesmo assim, Satomi ressalta que ainda não está claro por qual via isso acontece. “O que não está exatamente claro é por qual via isso acontece e que tipo de exposição e uso das áreas verdes teriam esse impacto”, pondera.

Quantidade de parques pesa mais que a distância

Os pesquisadores não encontraram associação entre a distância até o parque mais próximo e o risco da doença. O menor risco apareceu entre quem tinha três ou mais parques em um raio de 800 metros.

O próprio estudo aponta que esse dado pode refletir regiões com melhor condição socioeconômica, que costumam oferecer mais acesso a serviços de saúde, alimentação de melhor qualidade e outras oportunidades de atividade física. “Quando a gente fala em 7% menos risco ou 5,7% menos risco [de ter diabetes tipo 2], estamos comparando uma exposição a pouco verde com uma exposição a mais verde. Não estamos quantificando a densidade disso. Talvez essa condição socioeconômica tenha interferido muito mais do que um, dois ou três parques”, analisa a geriatra.

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Cuidar de plantas não substitui exercício

Cuidar de um jardim pode ajudar a sair do sedentarismo, mas não deve ser visto como substituto da atividade física. O estudo não avaliou se os participantes cuidavam do verde que tinham em casa.

“Qualquer atividade física que te tire do sedentarismo e do estresse tem potencial de prevenção de diabetes. São coisas que podem complementar uma melhora da qualidade de vida”, diz Erika Satomi. Para quem mora em apartamento ou em regiões sem parques próximos, cultivar plantas em vasos é uma alternativa para ter mais contato com o verde e relaxar.

Para a médica do Einstein, o foco deve continuar nos fatores de prevenção já conhecidos. “É preciso pensar em fatores maiores, como estimular realmente a atividade física, a interação social e melhorar a qualidade da alimentação da população”, frisa.

A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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