NHS do Reino Unido orienta clínicas a investigar TOC e dismorfia antes de procedimentos estéticos

O serviço público de saúde do Reino Unido publicou nesta quinta – feira (17) uma nova diretriz que orienta médicos a investigar a saúde mental de pacientes que buscam procedimentos estéticos. A NHS (Serviço Nacional de Saúde) sugere que o interesse por essas intervenções pode, na verdade, esconder quadros como dismorfia corporal ou transtorno obsessivo – compulsivo (TOC.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A orientação, elaborada pelo Instituto Nacional para a Excelência na Saúde e Cuidado (NICE), também atinge diretamente as clínicas de estética. Elas terão que avaliar seus pacientes para diagnosticar ou descartar a presença de ambos os transtornos antes de qualquer procedimento.
As novas regras começam a ser cobradas dos profissionais da área a partir de 2027.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O que dizem as diretrizes sobre dismorfia corporal e TOC
O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é caracterizado por uma preocupação exagerada com defeitos percebidos na própria aparência. Esses defeitos podem ser reais ou imaginários, mas o paciente os enxerga em um grau muito maior do que realmente são.
A condição gera estresse e sofrimento intensos, capazes de prejudicar áreas como a socialização e o trabalho. O diagnóstico, no entanto, não deve ser confundido com transtornos alimentares, como bulimia ou anorexia.
Já o TOC se manifesta por pensamentos obsessivos e indesejados que causam um profundo incômodo. Esses pensamentos podem levar o paciente a criar rituais e comportamentos repetitivos, como verificar várias vezes se fez algo ou higienizar partes do corpo e objetos de forma excessiva.
A diretriz do NHS aponta que o desejo por procedimentos estéticos pode ser um reflexo dessas obsessões.
Leia também
Mudança na abordagem das clínicas de estética
Com a nova orientação, as clínicas de estética do Reino Unido terão um papel mais ativo na triagem de saúde mental dos clientes. A ideia é que, ao identificar um possível caso de TDC ou TOC, o profissional encaminhe o paciente para tratamento psicológico antes de realizar qualquer intervenção estética.
A medida busca evitar que procedimentos desnecessários ou até prejudiciais sejam feitos em pessoas que, na verdade, precisam de acompanhamento psiquiátrico.
A decisão do NICE representa uma mudança significativa na forma como o sistema de saúde lida com a demanda por procedimentos estéticos. Em vez de apenas atender ao pedido do paciente, os médicos deverão investigar as motivações por trás do desejo de mudar a aparência.
A partir de 2027, o descumprimento das diretrizes poderá gerar consequências para os profissionais da área.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



