Olfatofilia: entenda por que algumas pessoas sentem atração pelo cheiro natural do corpo

Usar perfume ou desodorante antes de um encontro é hábito comum, mas há quem sinta atração justamente pelo avesso disso: o cheiro natural do corpo, especialmente o odor de órgãos genitais. Essa preferência tem nome e é classificada como uma parafilia.
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De acordo com o neuropsicanalista Fernando Weikamp, em artigo publicado pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea, a condição é chamada de olfatofilia. Trata – se de uma parafilia — ou seja, uma situação em que a excitação sexual de uma pessoa depende de fantasias e comportamentos considerados atípicos e extremos.
A terapeuta e sexóloga Ness Cooper explicou ao jornal britânico Metro UK que essa atração está ligada aos feromônios, substâncias químicas naturais do corpo que influenciam respostas comportamentais e a escolha de parceiros.
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O papel dos feromônios e do bioma
Cooper detalhou que os aromas do corpo têm relação direta com o bioma de cada um — a forma como o suor e as bactérias presentes na pele cheiram para as outras pessoas. “Isso ajuda a indicar imunidade e fertilidade”, afirmou. Ela acrescentou que o olfato também atua na troca de feromônios: “Eles não são focados no cheiro, mas muitos de nós os associamos a aromas.
Podem funcionar como sinais que ajudam a atrair outras pessoas”.
O psicólogo clínico Marcelo Pinoti, em entrevista à CNN Brasil, disse que esses odores naturais podem despertar um estado primitivo do fetiche. Segundo ele, a atração evoca memórias de uma compreensão mais natural do corpo e provoca em algumas pessoas uma busca por um prazer menos disfarçado por outros elementos, como perfumes ou desodorantes.
Diferença entre desconhecidos e parceiros
Ness Cooper também fez uma distinção importante ao Metro UK: sentir atração pelo cheiro natural de um desconhecido não é a mesma coisa que sentir isso por um parceiro de longa data. “Nossos corpos são curiosos. Quando estamos em um relacionamento de longo prazo, podemos sentir menos aversão e querer nos sentir confortáveis”, completou a sexóloga.
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A psicoterapeuta Susie Masterson, também ouvida pelo jornal britânico, destacou que as experiências sensoriais são fundamentais para criar associações de excitação, intimidade e conexão. Ela citou velas perfumadas, óleos de massagem, champanhe e morangos como exemplos de itens comumente ligados ao sexo.
Na mesma linha, o suor e outros odores corporais podem exercer esse papel de associação, já que são respostas comportamentais naturais durante as relações sexuais.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



