Nepal inicia reconstrução após enchentes e cobra países ricos por custos de US 5 bilhões

Ponte sobre o rio Tadi marca a retomada das rotas comerciais, enquanto Nepal pede US 20 milhões à ONU para enfrentar perdas ligadas ao clima.

11/09/2026 13:11

3 min

Rua coberta de lama no distrito de Nuwakot, Nepal, em 26 de agosto de 2026. Uma enorme inundação e deslizamento de terra na fronteira entre o Nepal e o Tibete matou centenas de pessoas.
Rua coberta de lama no distrito de Nuwakot, Nepal, em 26 de agos...

O Nepal iniciou a reconstrução das rotas comerciais destruídas pelas enchentes catastróficas que atingiram o país. Uma nova ponte sobre o rio Tadi, batizada de “ponte da esperança” pelo Exército nepalês, simboliza os primeiros esforços para recuperar a infraestrutura.

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A reconstrução deverá custar pelo menos US 5 bilhões, segundo autoridades do governo. A estimativa considera apenas as obras e não inclui os efeitos indiretos da perda de estruturas essenciais para o transporte de pessoas e mercadorias.

Enchentes ameaçam crescimento do Nepal

Para Nischal Dhungel, pesquisador do Nepal Institute for Policy Research, o desastre atinge diferentes áreas da economia. “Seus efeitos atingem fazendas, usinas de energia, corredores comerciais, turismo, empresas e seguros, conectando as perdas das famílias à recuperação da economia nacional”, afirmou.

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Estados Unidos, China e Índia estão entre os países que prometeram assistência humanitária e financeira ao Nepal. Em um vídeo publicado no X, o Exército nepalês apresentou a nova estrutura com a mensagem: “O desastre destruiu — estamos reconstruindo a ponte da esperança”.

Cientistas acreditam que o episódio recente começou com o colapso de uma geleira, seguido por um deslizamento de terra. Especialistas ainda avaliam o papel das mudanças climáticas, mas o aumento das temperaturas vem desestabilizando geleiras e encostas congeladas nas montanhas do Nepal.

Os líderes nepaleses afirmam que os países maiores também devem assumir parte dos custos, já que o Nepal responde por apenas 0,1% das emissões globais. O país pediu US 20 milhões a um fundo das Nações Unidas voltado a países em desenvolvimento afetados por perdas ligadas às mudanças climáticas.

Preços sobem e comércio perde rotas

Os danos se concentram em alguns distritos de vales no centro do Nepal, mas a dificuldade para reconstruir os corredores econômicos pode afetar o crescimento por anos. Uma análise do Banco Mundial estima que, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, o Nepal poderá perder cerca de 4% de seu PIB até 2050.

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Em Katmandu, os efeitos já aparecem nos preços. Frutas e verduras ficaram entre 5% e 8% mais caras, segundo Sudip Bhaju, diretor do Nepal Economic Forum. O gás subiu até 36% fora dos canais oficiais de distribuição, quando disponível.

A destruição também prejudicou as rotas comerciais para a China. Saloni Sethia, diretora – gerente da Vie Tec, disse que contratar motoristas para levar mercadorias pela passagem de fronteira de Korala passou a custar quatro vezes mais. O transporte marítimo a partir da cidade portuária de Guangzhou acrescenta três semanas ao prazo de entrega.

A interrupção ocorre poucas semanas antes do Dashain, festival religioso hindu de 15 dias que movimenta o consumo e o turismo. O setor turístico, que representa cerca de 7% do PIB do Nepal e emprega mais de 1 milhão de pessoas, também pode perder visitantes estrangeiros.

Para Sethia, o impacto de um corredor comercial acaba alcançando empresas de todo o país.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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