Trump defende cheques a americanos, mas “Dividendo Trump” depende do Congresso

A proposta alcançaria mais de 200 milhões de adultos, mas enfrenta limites constitucionais, déficit anual de US 2 trilhões e críticas eleitorais.

10/09/2026 11:51

3 min

Donald Trump em inédita convenção de Meio de Mandato (09.09.26)
Donald Trump em inédita convenção de Meio de Mandato (09.09.26)

Trump voltou a defender, no início deste ano, a distribuição de cheques aos americanos e disse, em entrevista, que não precisava do Congresso para colocar a medida em prática. O plano, porém, não avançou. Na época, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou: “Precisamos de legislação para isso”.

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A ideia reapareceu durante a convenção, a dois meses das Eleições de Meio de Mandato. O chamado “Dividendo Trump” prevê o pagamento de valores a mais de 200 milhões de adultos norte – americanos, mas dependeria de aprovação do Congresso dos Estados Unidos.

Proposta exigiria aprovação do Congresso

Em Dezembro de 2025, o governo americano anunciou um bônus de US 1.776 para 1,5 milhão de militares. O pagamento foi apresentado como uma “forma de agradecimento pelo serviço prestado” e uma referência aos 250 anos das Forças Armadas.

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O dinheiro foi liberado no mês seguinte, incorporado a uma parcela extra do auxílio – moradia. A iniciativa recebeu o apelido de “warrior dividend”, ou Dividendo Guerreiro.

Segundo o Departamento de Defesa, aproximadamente 1,28 milhão de militares da ativa e 174 mil da reserva estavam aptos a receber o benefício. Na agenda política de Trump, aprovada durante o verão, o Congresso havia destinado US 2,9 bilhões ao Departamento de Defesa, que a Casa Branca renomeou como Departamento de Guerra, para complementar o Auxílio Básico.

A Constituição americana estabelece que o Poder Executivo não tem a atribuição de criar gastos ou administrar dinheiro por conta própria. Cabe ao governo executar despesas autorizadas pelo Legislativo, razão pela qual a proposta dos cheques precisaria passar pelo Congresso.

Críticas ao custo e efeito eleitoral

Para Carlos Poggio, professor de relações internacionais e especialista em política dos Estados Unidos, é pouco provável que a promessa de Trump avance. “Nada disso pode ser cumprido, porque são questões muito mais complicadas”, afirmou, ao comparar a medida com outras promessas.

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O país enfrenta um déficit anual de US 2 trilhões e uma dívida pública de US 40 trilhões. Caso o “Dividendo Trump” fosse aprovado, o desembolso para os mais de 200 milhões de adultos norte – americanos ultrapassaria US 1 trilhão.

“Essa é a definição prática de política fiscal inoportuna e mal aconselhada”, disse Joe Brusuelas, economista – chefe da RSM US, à CNN. Carlos Poggio também classificou a proposta como uma estratégia de “imagem”.

Na avaliação do professor, a proximidade das Eleições de Meio de Mandato ajuda a explicar o anúncio. “O que essa promessa deixa claro é que ele vai estar disposto a tudo para evitar uma derrota muito grande”, afirmou. Para Poggio, Trump demonstra “uma vontade do presidente de se utilizar de todos os recursos possíveis ao seu dispor para tentar influenciar o resultado”.

Popularidade de Trump atinge menor nível

Uma pesquisa da Focaldata para o jornal Financial Times apontou que Trump alcançou o menor índice de popularidade registrado pelo levantamento desde o início da série, em maio deste ano. Apenas 33% dos eleitores americanos registrados aprovam o desempenho do presidente, três pontos percentuais a menos que no mês anterior.

Entre os republicanos, o apoio também recuou mais de dois pontos percentuais e chegou a 72%, o menor patamar já registrado pela pesquisa. Quase dois terços dos eleitores disseram que a economia dos Estados Unidos está no caminho errado.

Nas finanças pessoais, 57% afirmaram estar em uma situação pior sob o governo Trump. Entre os eleitores republicanos, 53% aprovam a atuação do presidente na criação de empregos e na economia, uma queda de quase oito pontos percentuais em relação ao mês anterior.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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