Nelsinho Trad alerta que crise no Paraguai pode atingir o Brasil, sobretudo cidades de fronteira

Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ele teme maior pressão sobre saúde, educação e assistência social.

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Depositantes do Banco Ueno participam de uma manifestação após a intervenção no banco pelo Banco Central do Paraguai, em Assunção, em 3 de novembro de 2026 | Foto: AFP
Depositantes do Banco Ueno participam de uma manifestação após a...
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A crise política e financeira no Paraguai, que levou ao impeachment e à prisão do presidente Santiago Peña após a quebra de um dos principais bancos do país, pode respingar no Brasil, sobretudo nas regiões de fronteira. O alerta partiu do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal.

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Para o parlamentar, os efeitos podem chegar desde os serviços públicos brasileiros até setores estratégicos da economia, como o agronegócio e a infraestrutura. Trad disse acompanhar o caso com “apreensão e surpresa”, por causa da proximidade econômica e geográfica entre os dois países.

Cidades da fronteira podem sentir mais pressão sobre serviços

O senador lembrou que Mato Grosso do Sul mantém relação comercial e social intensa com o Paraguai, com empresários brasileiros atuando no país vizinho e paraguaios tocando negócios em território nacional. Ele citou Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, como exemplo dessa integração. “Normalmente, o que separa o país vizinho do nosso, que separa o Paraguai do Brasil, é uma rua, muitas vezes uma rua estreita”, afirmou.

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Na prática, moradores paraguaios já procuram serviços brasileiros de saúde, educação e assistência social, o que cria uma demanda extra para as prefeituras e para o governo estadual. Trad avalia que um agravamento da crise pode aumentar essa pressão, sobretudo se o atendimento ao lado paraguaio falhar e mais pessoas atravessarem a fronteira em busca de ajuda.

Esse cenário preocupa especialmente os municípios que convivem todos os dias com o fluxo intenso de moradores entre os dois países.

Dificuldade com depósitos pode empurrar gente para o Brasil

Segundo o senador, a dificuldade de acesso ao dinheiro depositado no Paraguai também pode estimular a migração para o lado brasileiro. Marcela Rahal lembrou, durante a entrevista, que quase metade da população paraguaia enfrentava restrições para movimentar recursos no banco envolvido na crise.

Trad afirmou que uma piora nas condições financeiras poderia levar moradores do país vizinho a buscar oportunidades e serviços no território brasileiro. “É uma questão de defesa, de sobrevivência”, disse. Para ilustrar como esse deslocamento seria fácil nas cidades de fronteira, acrescentou: “Se tem oportunidade melhor e maior do outro lado e você só atravessando a rua, você já está do outro lado”.

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O senador condicionou esse quadro ao agravamento da crise e defendeu que os mecanismos de garantia de depósitos cumpram suas obrigações, para reduzir os prejuízos à população. Para ele, a volta da normalidade financeira é essencial para evitar consequências sociais mais amplas.

Rota Bioceânica e Itaipu entram na lista de preocupações

Além dos serviços públicos e da circulação de pessoas, Trad apontou possíveis efeitos para o agronegócio e para os investimentos em infraestrutura. Um dos projetos citados foi a Rota Bioceânica, corredor rodoviário planejado para ligar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, com transporte de mercadorias até o Oceano Pacífico. Segundo o parlamentar, faltavam poucos quilômetros para concluir as obras do lado paraguaio.

Ele demonstrou receio de que a instabilidade política e financeira atrapalhe o andamento do projeto. “Tenho certeza que isso vai gerar uma consequência”, declarou, ao comentar os possíveis desdobramentos da crise para a infraestrutura regional.

Outro ponto de atenção é a Itaipu Binacional, administrada em conjunto pelos governos brasileiro e paraguaio. Para Trad, a relação entre os dois países exige cuidado com os efeitos de uma crise institucional em um dos parceiros. “Qualquer situação sensível que venha afetar o parceiro, consequentemente, o outro vai sofrer”, afirmou.

Comissão do Senado quer seguir de perto o caso

Trad, que comanda a comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, disse que o grupo quer acompanhar de perto o que se passa no país vizinho e o que isso pode provocar do lado brasileiro. Na sexta-feira, ele ligou para o embaixador paraguaio em Brasília para manifestar solidariedade à população do Paraguai.

Para o senador, o foco agora é que a transição política e as medidas adotadas pelas instituições paraguaias ajudem a restabelecer a estabilidade no país.

A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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