Lula deseja “pleno êxito” a Pedro Alliana, novo presidente do Paraguai, e o convida a Brasília

Pedro Alliana tomou posse como presidente do Paraguai na noite de sexta-feira (6), depois que o Senado paraguaio aprovou o impeachment de Santiago Peña. O ex-presidente é acusado de envolvimento em um escândalo que levou ao fechamento de um banco e atingiu milhões de pessoas no país.
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A troca de comando acontece em meio a uma crise financeira que ainda repercute no país. Peña, que governava desde 2023, deixou o cargo sob acusações da oposição, que cobra explicações sobre o papel do governo no caso.
Lula deseja êxito e convida Alliana a Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desejou “pleno êxito nas novas funções” ao novo presidente paraguaio. Em publicação no X, Lula disse esperar trabalhar com Alliana de maneira “aberta, franca e cooperativa”, com foco no fortalecimento da relação bilateral e na integração sul-americana.
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Lula também afirmou que espera receber o novo chefe de Estado em Brasília em breve. “Espero poder recebê-lo proximamente em Brasília, oportunidade em que poderemos examinar a nossa agenda bilateral e dar renovado impulso a nossos históricos laços de amizade”, escreveu.
Quem é Pedro Alliana e como reagiu à fala de Lula
Antes de assumir a Presidência, Alliana ocupava a vice-presidência e vinha acumulando funções ligadas à política externa do Paraguai. Ele foi o primeiro integrante do governo a se manifestar depois de uma fala de Lula sobre a Guerra da Tríplice Fronteira.
Na ocasião, Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século XIX, em um conflito que matou cerca de 70% da população paraguaia, segundo estimativas de historiadores. Alliana participou de reunião com o embaixador José Antonio Marcondes, realizada após a declaração.
Em coletiva de imprensa, ele disse não ter interesse em aprofundar a crise. “A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos”, afirmou o vice.
O vice também buscou tom conciliador. “Paraguai e Brasil são países irmãos. Compartilhamos uma extensa história de cooperação e uma agenda comum de enorme importância o desenvolvimento de nossos povos”, completou, citando a parceria no Mercosul e na usina Itaipu, na fronteira entre os dois países.
Banco Ueno fecha as portas e oposição acusa Peña de conflito de interesses
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição. A autoridade monetária identificou um déficit nos índices de solvência, ligado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio grupo.
Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista do grupo dono do banco até março do ano passado. O Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos. Durante sessão, a deputada Rocío Vallejo disparou contra o presidente. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse ela, pouco antes de apresentar a acusação.
Peña respondeu em publicação na rede social X. Ele afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, e promulgou uma lei que deve permitir aos poupadores do Ueno recuperar o dinheiro em menos tempo. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
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Redação Internacional
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