Mesmo com posse imediata de Alliana, Paraguai não se estabiliza após queda de Peña, diz especialista

A posse de Pedro Alliana como novo chefe do Executivo paraguaio, após a liberação do processo de impeachment de Santiago Peña, provoca mais instabilidade do que sinais de normalização da crise no país. A avaliação é de Flávia Loss de Araujo, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá, em entrevista ao Hora H.
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Para a especialista, a velocidade dos acontecimentos chama atenção, sobretudo a partir da perspectiva brasileira. “Esse impeachment tão rápido, esse pedido de prisão tão rápido, também não passam confiança”, afirmou. Ela descreveu o momento como uma profunda crise de confiança no Paraguai, que tem, na visão dela, dimensões econômica e política.
“Trata-se de uma crise econômica, porque envolve um dos maiores bancos do Paraguai, mas também política, principalmente política, porque atingiu o chefe do executivo, Santiago Peña”, afirmou a especialista. Ela lembrou que, até o ano passado, Peña era sócio de um dos grupos proprietários do Ueno Bank.
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Banco recebia fundos públicos e repassava a donos
As autoridades paraguaias investigam até onde vão as ligações de Santiago Peña com a instituição financeira. Na análise de Flávia Loss de Araujo, o núcleo do caso está no fato de que o Ueno Bank captava recursos públicos e os encaminhava aos grupos que o controlavam, assim como às empresas ligadas a essas famílias de investidores.
A professora também apontou falhas nas agências de regulação e disse que o Banco Central paraguaio demorou a agir. “Permitiu-se que tudo isso acontecesse”, declarou. Para ela, a crise pesa ainda mais porque atinge um sistema político que já é visto como mais frágil na América do Sul.
Impeachment rápido gera dúvidas sobre transparência
Flávia Loss de Araujo destacou a rapidez com que o processo foi conduzido. Segundo ela, a Constituição paraguaia permite que esse tipo de procedimento avance em prazo extremamente curto e sem um limite de tempo definido, ao contrário do que acontece no Brasil.
Ao citar o caso do ex-presidente Fernando Lugo, que em 2012 sofreu impeachment “no meio da madrugada, de um dia para o outro”, a professora lembrou que o de Santiago Peña durou ao menos dois dias. “Na minha análise, não é o ideal também essa rapidez. Ela não passa a transparência necessária”, avaliou.
Na visão dela, a celeridade pode sair pela culatra. “Ao mesmo tempo que isso cria uma celeridade para que tenha uma normalidade no sistema político paraguaio, em contrapartida, cria uma instabilidade também, porque você tem um processo muito rápido e que não dá as respostas para a população”, explicou.
Ela acrescentou que a estabilidade também depende do mercado financeiro e da capacidade do banco de descongelar recursos e devolvê-los a pessoas e empresas, com autorização do Banco Central paraguaio.
Pedido de prisão aumenta pressão sobre investigações
Ao ser questionada sobre o pedido de prisão de Santiago Peña e os possíveis impactos, Flávia Loss de Araujo classificou a situação como “seríssima”. Ela ponderou, porém, que tudo depende do andamento das investigações.
A professora ressaltou a forte pressão da oposição, que foi uma das denunciantes do escândalo, para que os desdobramentos aconteçam com rapidez.
Editoria:
Redação Política
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