Mercado espera Selic menor em 2027, mas disputa entre Lula e Flávio eleva cautela
A pesquisa Quaest mais recente, que apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, aumentou a cautela dos investidores diante da disputa pelo segundo turno. Em entrevista ao CNN Money, a economista Carla Argenta, da CM Capital, disse que, apesar das incertezas, ainda predomina a expectativa de transição de poder.
“Os investidores ainda acreditam que Flávio será o presidente do Brasil em 2027 e que haverá essa transição de poder”, afirmou Argenta. A corrida eleitoral também influencia as expectativas para juros e câmbio, enquanto fatores externos pressionam os mercados.
Mercado troca euforia por cautela
Na semana seguinte ao primeiro turno, a Bolsa acumulou alta superior a 8%, em meio à euforia dos investidores. Nos dias seguintes, a atuação política do PT e de Lula ganhou intensidade e apareceu nas pesquisas, aumentando a preocupação com a possibilidade de continuidade do atual governo.
“Isso deixou o mercado um pouco mais preocupado com a possibilidade de não transição de poder. Mas, ainda assim, ela é majoritária entre os investidores”, explicou a economista.
Argenta disse que o mercado considera o plano de governo de Flávio Bolsonaro mais favorável às contas públicas e ao ambiente de negócios. As sinalizações contraditórias da campanha, porém, limitam mudanças mais expressivas nas expectativas: o candidato combina propostas de redução do Estado com a defesa de políticas que pressupõem uma estrutura estatal robusta.
“Existe o benefício da dúvida, existe uma crença, existe uma expectativa de que, em alguma magnitude, a situação das contas públicas irá melhorar e isso será refletido nos juros, mas a magnitude disso é completamente incerta”, pontuou.
Inflação nos EUA também afeta juros e câmbio
Uma inflação nos Estados Unidos acima das expectativas dos analistas reforçou a perspectiva de que os juros americanos permaneçam elevados. Essa expectativa pode afetar a liquidez global e os mercados emergentes, incluindo o Brasil.
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“A taxa de juros dos Estados Unidos é muito importante para o nível de liquidez global e ela acaba tendo impacto sobre a nossa taxa de juros também”, afirmou Argenta.
No câmbio, a economista atribuiu o ajuste de aproximadamente R$ 0,20 observado na segunda-feira após o primeiro turno ao “benefício da dúvida” dos investidores sobre uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
Na avaliação de Argenta, essa diferença pode crescer ou diminuir conforme as propostas apresentadas pelo candidato e sua capacidade de colocá-las em prática. Ela também citou o Congresso, que tem aprovado medidas mais alinhadas à agenda do atual governo. “Essa diferença pode ser maior ou pode ser menor a depender do plano de governo que o Flávio apresentará uma vez eleito e da sua capacidade de implementá-lo também”, concluiu.
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Redação Economia
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