Mélenchon cita Lula e pede que apoiadores não aceitem vitória de Le Pen em 2027

Em ato com milhares de simpatizantes em Le Bourget, o líder da França Insubmissa rejeitou um tom “menos divisivo” e apresentou programa com 1.069 medidas.

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Mélenchon durante a convenção da LFI para lançar seu programa de governo "L'Avenir en Commun" (Um Futuro Compartilhado) | Foto: Kenzo Tribouillard/ AFP

O líder da esquerda radical francesa Jean Luc Mélenchon pediu aos apoiadores, no sábado (7), que não aceitem uma vitória da ultradireitista Marine Le Pen nas eleições presidenciais de 2027. Para ele, as derrotas de Donald Trump nos Estados Unidos e de Flávio Bolsonaro no Brasil mostram que o resultado ainda está em aberto.

Os eleitores franceses escolherão, em abril e maio, o sucessor de Emmanuel Macron, presidente de centro-direita. De acordo com as sondagens mais recentes, Le Pen aparece como favorita e disputaria um eventual segundo turno justamente com Mélenchon.

Mélenchon discursa para milhares em Le Bourget

Diante de milhares de simpatizantes em Le Bourget, ao norte de Paris, Mélenchon citou a derrota de Trump nas legislativas de meio de mandato e a de Bolsonaro nas presidenciais. “Trump foi derrotado [nas legislativas de meio de mandato] nos Estados Unidos, e Bolsonaro foi derrotado [nas presidenciais] no Brasil. Viva Lula! É a nossa vez de mudar a história”, declarou.

O ato teve palavras de ordem, canções antifascistas e discursos de vitória. Os militantes do partido A França Insubmissa (LFI, esquerda radical) lotaram o recinto, e os organizadores esperavam até 20.000 presentes.

Mélenchon, de 75 anos, também rejeitou os pedidos para que adote um tom “menos divisivo” e amplie suas chances de chegar à Presidência. “Só tenho uma proposta razoável a fazer a vocês. Na verdade, é bastante moderada. Só uma coisa: É preciso mudar tudo!”, afirmou.

O que o programa do LFI propõe

O partido divulgou seu programa eleitoral na sexta-feira. O documento traz 1.069 medidas e tem como eixo o “planejamento ecológico”, que inclui a inscrição na Constituição de uma “regra verde” para impedir a extração de recursos naturais acima da capacidade de regeneração da natureza.

Entre as propostas, há também o abandono da energia nuclear e a redução da idade da aposentadoria de 64 para 62 anos, com a supressão da reforma das pensões imposta por Macron em 2023. Centenas de milhares de pessoas protestam há semanas no país por maior poder aquisitivo e melhorias na educação, e Mélenchon prometeu elevar o salário mínimo caso chegue ao poder.

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Mélenchon quer frente com Lula e Sheinbaum

No campo internacional, Mélenchon defendeu que a França, potência nuclear, deixe a aliança militar da Otan. Ele também propôs “construir uma frente mundial de não alinhados”, ao lado dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum.

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