Massacre da 277: Manifestação Exige Justiça para Antonio Tavares e Fim da Impunidade

Manifestação Relembra o Massacre da 277 e Exige Justiça para Antonio Tavares
Em um ato de memória e resistência, dezenas de pessoas se reuniram na manhã deste sábado (2) em Campo Largo (PR), em torno do monumento erguido às margens da BR-277, próximo ao local do crime que ceifou a vida de Antonio Tavares, camponês assassinado há 26 anos.
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O evento visava denunciar a violência policial e a criminalização de movimentos populares, além de cobrar o fim da impunidade que persiste no caso.
O monumento, com cerca de 10 metros de altura e projetado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer, serve como um símbolo da luta pela reforma agrária e da memória daqueles que perderam suas vidas na repressão. Militantes do Coletivo de Juventude do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do assentamento Contestado, localizado na Lapa, estiveram presentes, relembrando o contexto e a dor daquele dia, que ficou conhecido como o Massacre da 277.
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Detalhes do Crime e a Luta pela Justiça
Em 1998, Antonio Tavares, então com 38 anos, casado e pai de cinco filhos, foi morto a tiros por policiais militares, Joel de Lima Santa Ana, durante um confronto com a Polícia Militar. A brutalidade da ação resultou em cerca de 200 pessoas feridas, marcando um momento de grande violência na história do Paraná.
A investigação do caso nunca chegou a um desfecho, com os inquéritos arquivados pela Polícia Militar e pela Polícia Civil.
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A Cartilha e o Reconhecimento da Terra de Direitos
Durante o ato, a advogada popular da Terra de Direitos, Giovanna Menezes, apresentou a cartilha “”, produzida pela organização de direitos humanos Terra de Direitos e pelo MST. O material detalha o caso, o contexto em que ocorreu e a importância do monumento como um símbolo da luta por justiça.
A cartilha também destaca a importância do monumento projetado por Niemeyer.
Testemunhos e a Relevância Histórica
Nelson Barbosa, morador do assentamento Contestado, da Lapa, compartilhou sua experiência no dia do massacre. “Nós viemos para a mobilização e fomos barrados lá na frente. Quando nós subimos lá em cima e soubemos do que estava acontecendo, foi um grande choque.
E daí a gente não podia vir até aqui”, relatou, evidenciando a violência e a repressão sofridas pelos camponeses.
Sandra Mara Maier, que também estava presente no assentamento Contestado e se emocionou ao relatar o dia do massacre, ajudou a socorrer os feridos. Ela lembrou do acampamento realizado pelo MST em frente ao Palácio das Araucárias, sede do governo do Paraná, em Curitiba, que teve como objetivo denunciar a repressão do governo Jaime Lerner contra as famílias sem-terra.
A ocupação durou de junho a novembro de 1998 e ficou conhecida como a “”.
Condenação do Estado e Determinações da Corte
Em março de 2024, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Estado brasileiro pelo assassinato de Antonio Tavares, reconhecendo a intensa violência e a omissão da Justiça brasileira. A decisão também determinou a inclusão de conteúdo específico no currículo para a formação permanente de agentes de segurança pública, visando garantir o respeito aos direitos dos manifestantes.
Além disso, a corte ordenou a reparação às vítimas e seus familiares, com apoio psicológico e indenização por danos morais e materiais.
Preservação do Monumento e o Legado de Antonio Tavares
O monumento em homenagem aos mártires, projetado por Niemeyer, foi declarado patrimônio imaterial em 2023. A decisão obriga a adoção de medidas para a sua preservação, acesso público e manutenção. A memória de Antonio Tavares, que se tornou um símbolo da luta pela reforma agrária e pela justiça social, continua viva na resistência do MST e de seus apoiadores.
Conclusão
O caso do Massacre da 277 representa um marco na história da luta pela reforma agrária no Brasil, evidenciando a violência e a impunidade que marcaram o período. A manifestação de 2026 reafirma a importância de lembrar e denunciar essa história, buscando garantir que a justiça seja feita e que os direitos dos camponeses e trabalhadores rurais sejam respeitados.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



