Marilane Teixeira, da Unicamp: mercado cobra ajuste fiscal de Lula, mas lucra com juros altos

Após reunião com Lula, o ministro Dario Durigan diz que não há “fórmula mágica” e que o governo vai conciliar compromissos fiscais e de campanha.

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Foto: Reprodução/Brasil de Fato
Foto: Reprodução/Brasil de Fato

O governo Lula pode anunciar algum modelo de ajuste fiscal, pressionado por setores do mercado financeiro. Após reunião com o presidente reeleito, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que “não há fórmula mágica” para equilibrar as contas públicas e disse que o governo vai conciliar compromissos fiscais e de campanha.

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Segundo Durigan, eles não discutiram medidas específicas.

Governo fala em reforçar regras vigentes

Ao tratar da meta de superávit nos próximos anos, o ministro afirmou: “Como a gente está dizendo em avançar, ter superávit nos próximos anos, estamos necessariamente falando em reforçar as regras vigentes hoje de modo que a gente garanta a valorização de políticas públicas de maneira sustentável”.

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A economista Marilane Teixeira, professora e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Unicamp, discorda da ideia de que há gasto excessivo e lembra o arcabouço fiscal criado em 2023. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ela explicou: “As despesas reais, descontando a inflação, não podem superar 70% das receitas. Você já vem fazendo uma política de austeridade, você não está ampliando, você está vinculando os gastos à receita”.

Juros e dívida pública no centro do debate

Segundo a professora, o ajuste fiscal foi o tema que mais contribuiu para a polarização entre o primeiro e o segundo turno, porque o plano de Flávio Bolsonaro (PL) previa cortes drásticos que afetariam programas sociais. Para ela, o ponto central é fazer o ajuste sem mexer em pressupostos como a taxa de juros e os interesses do sistema financeiro.

Marilane Teixeira também afirmou que não é possível “mexer no gasto porque isso pode gerar recessão na economia”. Praticamente 52% da dívida pública têm remuneração com taxas flutuantes, como a Selic, segundo ela. Na avaliação da economista, é uma hipocrisia que o sistema financeiro cobre austeridade, já que é o maior beneficiado pelas altas taxas de juros.

Proposta de André Lara Rezende é citada

Teixeira relacionou o debate a um artigo de André Lara Rezende, um dos responsáveis pelo Plano Real. Segundo ela, a proposta previa desindexar e definir um teto para a remuneração dos papéis da dívida pública. “E aí houve reação. É claro que isso não é uma coisa fácil de fazer de forma abrupta. Mas, sim, de uma forma progressiva”, disse.

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Para a economista, o governo poderia renegociar a dívida em condições mais favoráveis e, com isso, não ficaria refém do mercado financeiro.

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