Mesmo após vitória bolsonarista, Alcolumbre bate de frente com o grupo e acena à base governista

Para a cientista política Priscila Lapa, o discurso do presidente do Senado sinaliza composição com o governo Lula e o posiciona como ponte nas negociações.

3 min

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) | Foto: Reprodução/Brasil de Fato
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) | Foto...
▼

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), criticou em discurso no plenário na quarta-feira (4) os parlamentares bolsonaristas que venceram as eleições com ofensas e agressões a quem pensa diferente. Ele disse que esse grupo também não apresentou propostas para o país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na mesma fala, Alcolumbre atacou a pressão por impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Criticou ainda a tese de fraude nas eleições levantada por Flávio Bolsonaro (PL) e seus apoiadores, e ironizou os que venceram o primeiro turno sem questionar as urnas.

Cientista política vê sinal ao governo na fala de Alcolumbre

Para a cientista política Priscila Lapa, o discurso é uma sinalização clara à base governista, em direção a uma composição. “A gente vivenciou muita tensão nos últimos anos dessa busca por uma hegemonia pelo campo bolsonarista, pela força eleitoral com que os integrantes do PL chegaram ao poder. No final do primeiro turno, deu a impressão de que a gente teria uma hegemonia desse campo na política com grandes impactos na Suprema Corte”, afirmou ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na avaliação dela, essa perspectiva mudou quando se formou uma grande frente ampla pela democracia em torno da candidatura de Lula. “Foi uma resposta a essa frente bolsonarista. E hoje existe uma oportunidade de uma reorganização puxando a política para uma agenda mais mundo real, mais pragmática”, disse.

Alcolumbre tenta se colocar como ponte para negociar com o governo

Lapa acredita que Alcolumbre percebeu que, para ele e seu grupo político, a composição com o governo era o único meio de sobrevivência. “Não há como vencer numericamente a bancada bolsonarista que se elegeu, mas há como trazer a agenda mais para o centro. O presidente do Senado tem esse poder. Esse jogo das emendas parlamentares requer, sim, negociações. E ele se coloca como elemento de negociação ao fazer essa fala dura”, afirmou.

Segundo a cientista política, ao criticar publicamente, Alcolumbre assume para si a responsabilidade dessa negociação e a tarefa de colocar o pragmatismo na ordem do dia. “Há um caminho de acomodação das instituições e de uma certa harmonização que a gente não vivenciou na última legislatura”, ressaltou.

Nome de Rafael Fonteles para a Fazenda é sondado

Ao falar sobre a composição do Lula 4, Priscila Lapa comentou o nome de Rafael Fonteles, reeleito com ampla maioria no governo do Piauí, que foi sondado para o Ministério da Fazenda. Para ela, a escolha seria uma manobra um tanto arriscada.

Leia também

“É um ministério muito desafiador. Além das questões políticas, a questão econômica está na pauta central do próximo governo e a construção de uma sucessão a Lula passa pela questão econômica”, resumiu a cientista política.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!