Maior iceberg do Ártico desde 2020 se desprende da Groenlândia e resiste a colisão

O iceberg de 76 km² colidiu com a Ilha Joe e saiu intacto, surpreendendo cientistas que monitoravam o trajeto.

22/09/2026 07:42

3 min

O desprendimento de icebergs das plataformas da Groenlândia durante o verão é um fenômeno natural que ocorre todos os anos
O desprendimento de icebergs das plataformas da Groenlândia dura...

Uma ilha de gelo com mais de 76 quilômetros quadrados se desprendeu da plataforma Petermann, na costa noroeste da Groenlândia, em agosto. O que chamou a atenção dos cientistas não foi apenas o tamanho do bloco, mas o trajeto que ele fez em seguida: o iceberg colidiu diretamente com a Ilha Joe, um afloramento rochoso na saída do fiorde Petermann, e, ao contrário do que se esperava, saiu intacto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O fenômeno, considerado o maior desprendimento de gelo do Ártico nos últimos seis anos, abriu uma janela para os pesquisadores entenderem melhor a física por trás das plataformas de gelo. A resistência do iceberg surpreendeu até os especialistas que monitoravam a região de perto.

Fratura inesperada pegou cientistas de surpresa

Quem primeiro detectou o desprendimento foi Adam Garbo, estudante de doutoramento da Universidade de Ottawa. No dia 4 de agosto, ele analisava imagens de satélite da Agência Espacial Europeia quando percebeu a ruptura. A equipe de Garbo já acompanhava a plataforma Petermann de perto porque várias fissuras importantes haviam se formado na superfície do gelo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A expectativa era de que uma dessas grandes rachaduras atravessasse a língua de gelo a qualquer momento. Mas não foi o que aconteceu. “O que nos surpreendeu foi que o desprendimento ocorreu devido a uma fratura diferente, resultando numa ilha de gelo menor do que havíamos previsto inicialmente”, explicou Garbo.

As fissuras originais continuam lá. A equipe acredita que duas delas podem liberar icebergs de aproximadamente 94 e 84 quilômetros quadrados no futuro, mas ninguém arrisca dizer quando.

Colisão que deveria quebrar o gelo não aconteceu

Depois de se soltar, o iceberg começou a descer o fiorde Petermann a uma velocidade de cerca de três quilômetros por dia, em direção ao estreito de Nares. O glaciologista Mauri Pelto, do Nichols College, acompanhou o deslocamento usando imagens Landsat da NASA e USGS.

O bloco de gelo seguiu direto para a Ilha Joe. A colisão parecia inevitável, e os cientistas se prepararam para ver o iceberg se partir. Em 2010, um bloco do mesmo glaciar havia batido no mesmo lugar e se dividido claramente em duas partes. Dessa vez, a história foi diferente.

Leia também

“Ficámos impressionados pelo facto de este ter sobrevivido à interação sem se fragmentar ainda mais”, disseram os pesquisadores. As imagens de satélite mostram o iceberg girando, se afastando da ilha e seguindo para sudoeste, já no Estreito de Nares.

A resistência contrariou o que se sabia sobre os icebergs de Petermann. Eles costumam ser mais finos e frágeis do que os de outros glaciares da Groenlândia. No momento da colisão, estimava – se que o bloco tivesse menos de 150 metros de espessura — relativamente fino para uma estrutura daquele porte.

O que esperar do iceberg daqui para frente

Apesar de ter resistido ao impacto, o iceberg não deve durar para sempre. Segundo os investigadores, as marés, as correntes e o degelo vão enfraquecê – lo gradualmente. A estrutura tende a se partir em pedaços menores com o tempo.

Alguns desses fragmentos podem viajar longas distâncias pelas águas do Ártico, o que representa um risco para embarcações que navegam pela região. O processo de fragmentação é previsível, mas o ritmo depende de fatores como a força das marés, a erosão térmica e as tensões internas do gelo.

O monitoramento continua. As ferramentas de observação espacial — que combinam dados da Agência Espacial Europeia, da NASA e do USGS — permitem que os cientistas acompanhem em tempo real o movimento das massas de gelo e ajustem suas previsões sobre o comportamento do Ártico.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!