Mãe Dalva denuncia risco à comunidade no Biribiri | Minas Gerais

Mãe Dalva alerta para ameaças à cultura local diante proposta de mercantilização no Biribiri.

07/07/2026 13:02

3 min

Manifestação nas ruas de Diamantina
Manifestação nas ruas de Diamantina

Para Mãe Dalva e a comunidade local de Minas Gerais o Parque Estadual do Biribiri não representa apenas uma unidade de conservação ou um potencial centro turístico; é visto como algo muito mais profundo que os cálculos estatais conseguem medir.

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Aos 6anos, ela enxerga na área — localizada em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha— uma entidade viva com valor espiritual imensurável para quem vive ali há gerações.

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Memória ancestral contra interesses comerciais

Segundo Dona Teresa Joana (mãe da Mãe Dalva), a herança cultural e o saber medicinal são pilares fundamentais. A benzedeira sustentava sua família lavando roupas junto ao Poço da Sentinela enquanto curava os moradores de diamantina sem cobrar qualquer quantia por seus serviços. “O que é encontrado na natureza não tem preço”, ensina ela, guardiã desse conhecimento transmitido pela mãe em direção à comunidade do Mirante da Palha Para as lideranças locais, esse valor vai além das receitas; trata se também dos saberes sobre ervas medicinais como “desabuso,” cujos conhecimentos remontam a um tempo anterior até mesmo ao reconhecimento oficial do Biribiri pelo Estado. A controvérsia: concessão e risco de mercantilização

Atualmente, o edital referente ao Parque Estadual do Biribiri está sendo integrado no Programa de Parcerias em Parques de Minas Gerais (PARC MG). Essa política é promovida pela gestão estadual sob comando de Romeu Zema (Novo) e prevê que diversas unidades sejam administradas por iniciativa privada por prazo máximo de 30 anos.

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Enquanto os defensores da medida argumentam tratar se apenas de uma modernização necessária para fomentar atividades turísticas na região, há um forte grupo opositor apontando riscos sérios.

O principal temor reside com a possível cobrança de ingressos nas áreas públicas — algo previsto nos estudos detalhados sobre concessão do parque. Para moradores tradicionais ou lideranças religiosas locais, essa tarifa seria vista como uma barreira direta ao exercício tanto da fé quanto dos direitos básicos à pesquisa científica no território.

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A resistência popular e o diálogo ausente. O sentimento crescente contra a proposta é evidente entre os participantes que acompanharam visitas recentes aos arredores pelo localidade; deputadas [nomes] criticaram veementemente aquilo que chamam publicamente de transferência ilegal de bens coletivos sem passar pela devida consulta pública com toda a população.

Em um discurso realizado nas ruas movimentadas em diamantina, Mário Mariano — participante do movimento anti concessão —, sintetizou a indignação da comunidade: “essa proposta não teve nenhum diálogo com a população”. Ele afirmou ainda ser uma iniciativa movida apenas pelos interesses financeiros grandes empresariado, visando lucrar transformando cachoeiras e belezas naturais em meros produtos comerciais.

A frente organizada contra o processo já conseguiu reunir mais de mil assinaturas para contestar a concessão oficial.

Diante desse cenário crescente, os manifestantes consideram que lutar pelo território é agora muito além de simplesmente apresentar um posicionamento; exige ação direta na defesa dos bens coletivos locais. Em paralelo ao movimento popular, houve tentativas recentes por parte da organização solicitarem pronunciamentos do prefeito municipal, da Câmara dos Vereadores local ou até mesmo do reitor da UFVJM sobre as questões levantadas pela proposta.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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