Claudio Castro lidera operações policiais após bolsonarismo fortalecer extrema-direita no Rio

Claudio Castro consolida atuação com operações policiais após ascensão da extrema-direita fluminense.

06/07/2026 11:55

5 min

Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro foram tornados inelegíveis por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022
Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro foram tornados inelegíveis por...

A chegada do bolsonarismo ao governo federal e estadual em 2018 intensificou o uso da máquina pública no Rio de Janeiro para fortalecer a extrema – direita na política local.

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Nesse período, figuras como um juiz desconhecido — vereador de primeiro mandato —, foram eleitas com forte apoio familiar que exerceram papel central no crescimento desse campo neofascista dentro do Executivo Estadual carioca. O domínio político não se sustentava por uma única via; era construído sobre três pilares principais: controle estrutural estatal, operações policiais nas favelas e concessões econômicas estratégicas.

O entrelaçamento de poder público, crime e economia

Um dos primeiros mecanismos foi o loteamento da estrutura estadual para fortalecer bases políticas em todas as regiões. A indicação constante de aliados a cargos influentes — mediante troca por suporte eleitoral —, espalhou – se pela máquina pública como parte natural (embora controversa) do jogo político brasileiro há décadas.

Contudo, esse processo se consolidou paralelamente à articulação com grupos diversos, incluindo facções criminosas e milícias. Esses esquemas envolviam favorecimento econômico ilegalmente obtido pelo uso das secretarias, autarquias ou empresas estaduais, sempre visando interesses privados ligados diretamente ao bolsonarismo na base aliada.

Da força policial às concessões de recursos

O segundo pilar era o emprego da violência nas favelas cariocas como ativo político puro. As operações policiais em áreas empobrecidas garantiram um acesso ideológico alimentado por discursos que equiparavam “bandidos” a ameaças existenciais (“o bandido bom é bandido morto”.

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A megaoperação nos Complexos Penha e Alemão ocorreu ainda em 2025, mostrando essa dinâmica: Cláudio Castro conseguiu transitar do perfil de governador fraco para ser visto como uma figura forte na disputa pelo Senado Federal.

Um exemplo anterior foi a operação no Jacarezinho em 28 mortes (em)— ocorrida em 2021. Em ambos os casos — o objetivo principal era projetar quadros políticos aliados ao bolsonarismo nas disputas estaduais ou federais.

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O uso da concessão Cedae e seu impacto eleitoral

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A terceira base de sustentação envolveu grandes esquemas econômicos, como uma das mais lucrativas concessionárias do estado: a CEDAE.

Em2021 (Cláudio Castro) concedeu à empresa pela distribuição de água em regime de concessão por trinta anos. O valor total arrecadado foi estimado em cerca de R 24,89 bilhões; dos quais, apenas parte ficou para o Estado (R 14,47 bi), sendo que os demais foram distribuídos entre vinte e nove municípios.

O dinheiro da concessão financiou a força política

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Os recursos obtidos com essa cessão não tiveram finalidade definida clara ou controle transparente sobre sua aplicação pelos diversos entes municipais. No entanto, esse fluxo financeiro foi crucial: ele possibilitou um crescimento vertiginoso do campo bolsonarista em todas as dimensões das eleições de 2022 no Rio.

A ampliação dessa base aliada permitiu que o PL saltasse drasticamente na representação (de apenas dois para onze deputados federais) e garantiu à Cláudio Castro uma reeleição ainda no primeiro turno da disputa estadual.

O enfraquecimento institucional após março de 2026

Tudo mudou emmarço de 2026. Bacellar, nome certo como sucessor do governador claudio castrotinha um acordo simples: o governante renunciaria para que ele assumisse temporariamente e pudesse fazer campanha já no cargo interino.

No entanto, os planos foram interrompidos pela prisão dos envolvidos na disputa política estadual.

A mudança nos cargos executivos

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Cláudio Castro finalmente se desvinculou em março de2026), data limite estabelecida pelo governo do estado (desincompatibilização) visando a candidatura ao Senado Federal.** No dia seguinte Ricardo Couto — presidente do Tribunal de Justiça e terceiro da linha sucessória —, assumiu o cargo interino, iniciando uma nova política na gestão.

Este processo foi acompanhado por exonerações massivas; mais de quatro mil funcionários foram desligados dos quadros estaduais.

O impacto político para os grupos neofascistas

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A subsequente eleição de Douglas Ruas como prefeito em 17 de abril não conseguiu reverter a situação. O STF bloqueou seu pedido imediato ou interinamente do governo estadual e esse evento impactou profundamente todo grupo bolsonarista no Rio, pois neutralizou o principal ativo: a estrutura da máquina estatal.

Ao perderem acesso aos recursos financeiros, cargos públicos e espaços decisórios que antes lhes eram garantidos pelo estado carioca — desarticulando sua representação —, eles foram forçados a redirecionar suas atenções para outras frentes.

O duplo movimento político em curso

A permanência de Ricardo Couto na governadoria interina representa um ponto crucial desde assassinato de Marielle Franco. Esse fato conseguiu freiar o alcance do bloco neofascista no Rio.

Em contrapartida, esse cenário abriu espaço e favoreceu articulações entre autoridades estaduais como couto com membros do Governo Lula. Isso pode contribuir diretamente ao melhor posicionamento da presidência federal dentro dos limites cariocas.

Conclusão: O desafio democrático

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O que se desenha é um duplo movimento político em curso na capital fluminense: por parte, há uma retirada forçada de poder bolsonarista — o governo estadual —, desorganizando os três pilares usados para manter sua força política no comando estatal.

Por outro lado, ocorre também abertura e diálogo direto entre as esferas governamentais. Embora seja preciso cautela devido às bases organizadas da extrema – direita local, hoje existe um cenário muito diferente do esperado poucos meses atrás; este coloca forças democraticamente mais bem posicionadas nesta disputa pelo estado.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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