Lulinha entrega sigilos fiscal, bancário e telemático a Mendonça, afirma advogado

Morando na Espanha, Fábio Luís Lula da Silva diz estar à disposição da Justiça e voltará ao Brasil se for chamado para depor, segundo o advogado.

3 min

Marco Aurélio, advogado de Lulinha, em entrevista à CNN Brasil.

Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou à CNN Brasil nesta segunda-feira (19) que entregou ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), os sigilos fiscal, bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

O advogado disse que Lula pediu ao filho que autorizasse a entrega dos dados e se colocasse à disposição da Justiça. Fábio Luís mora atualmente na Espanha com a família, mas, segundo Carvalho, voltará ao Brasil se for chamado para depor.

Advogado relata conversas com ministro e Polícia Federal

Carvalho contou que viajou a Brasília e conversou com André Mendonça em uma agenda pública. Segundo ele, foi recebido pelo ministro e informou que estava ali para apresentar os dados de Fábio e oferecer a colaboração do filho do presidente à Justiça.

O coordenador também disse ter comunicado a disponibilidade de Lulinha ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, durante um evento público. Ele afirmou que se manifestou em entrevista depois que a imprensa noticiou o episódio como se a conversa tivesse ocorrido em segredo.

“Fui eu que, numa entrevista, reconheci e disse para o Andrei [Rodrigues] que estou preocupado com esses vazamentos, que o Fábio está à disposição e que ele vem a hora que tiver que vir”, declarou.

De acordo com Carvalho, após essas iniciativas, a Polícia Federal disse que não tinha elementos suficientes nem mesmo para ouvir Fábio. “Esse assunto não tem essa dimensão”, afirmou.

PF apura três inquéritos sobre Fábio Luís

A PF investiga Fábio Luís em três inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção em favor de empresas junto ao governo federal. As investigações foram autorizadas pelo STF a partir do fim de julho. André Mendonça relata duas, enquanto Flávio Dino é responsável pela terceira.

Leia também

Carvalho afirmou que Lulinha “não deveria estar nesse inquérito” e criticou a falta de iniciativa para encerrar a apuração. “Na minha avaliação, faltou coragem para a PF arquivar esse inquérito, porque é o que a PF tinha que fazer em relação à Roberta e ao Fábio.

Não arquivou porque era o filho do presidente Lula e porque era amiga do filho do presidente Lula”, disse.

Para o advogado, a investigação está ligada ao “peso de um sobrenome”. Ele comparou a situação a um eventual governo Bolsonaro e afirmou que, na sua avaliação, não haveria motivos para investigar Lulinha no caso.

Proximidade com empresária levou Lulinha à investigação

Fábio Luís passou a ser investigado depois que veio à tona sua proximidade com Roberta Luchsinger. Ela foi alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em dezembro do ano passado, quando a PF apreendeu seu celular.

Relatórios da corporação apontam que Luchsinger teria trabalhado para o “Careca do INSS” e poderia ter atuado como operadora financeira e política do esquema de fraudes.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.