Lula pede cautela na resposta ao novo aumento de tarifas dos EUA

Presidente quer evitar novas altas e proteger os consumidores; tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros vale a partir de quarta-feira (22).

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abertura comercial – tarifaço – Brasil | Imagem gerada por inteligência artificial

Um novo aumento de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reacendeu as preocupações do governo do Brasil em relação à sua relação com Washington. O mesmo discurso sobre a soberania nacional, utilizado em 2025, foi reativado após a primeira ofensiva comercial de Donald Trump.

Na terça-feira (14), um dia antes da confirmação do novo tarifaço, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou que a situação se tornava cada vez mais provável. No dia seguinte, Durigan reforçou suas declarações, mas rapidamente mudou o tom. “Estamos monitorando a situação”, afirmou na sexta-feira (17).

A CNN Brasil informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou uma abordagem cautelosa para lidar com as novas tarifas. A intenção é não apenas evitar aumentos ainda mais significativos nas tarifas, mas também proteger os consumidores brasileiros de uma possível elevação nos preços. “Vamos com cautela”, reiterou Durigan em entrevista.

Reação do mercado e especialistas

O mercado e especialistas observaram atentamente os últimos movimentos, especialmente quanto à resposta brasileira. José Niemeyer, economista e professor do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), ressaltou que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos tem sido desequilibrada ao longo dos anos.

Nos últimos 15 anos, os EUA acumularam superávit comercial de US$ 424,5 bilhões com o Brasil, segundo dados do governo brasileiro.

De acordo com Niemeyer, a postura adotada até agora pelo Planalto é “muito ruim” para a diplomacia bilateral. Ele defende que o Brasil deve buscar um diálogo mais próximo com a Casa Branca, independentemente das administrações que estejam no poder.

Tarifas e seus impactos

Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), advertiu que retaliar os EUA pode ter consequências severas, como um aumento ainda maior das tarifas americanas. A nova tarifa de 25% passa a valer na quarta-feira (22), segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgado na quinta-feira (16).

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A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) também se manifestou sobre o assunto, enfatizando a necessidade de ações governamentais eficazes para preservar a indústria nacional e os postos de trabalho. Em nota, destacou que uma atuação mais efetiva do governo brasileiro é necessária, dissociando-se de questões políticas e focando em negociações diplomáticas.

Com a implementação das novas tarifas, as taxas efetivas médias podem ultrapassar 18%, segundo relatório do GTA (Global Trade Alert). Essa medida pode reduzir o fluxo comercial em cerca de US$ 1 bilhão e ter impacto estimado de aproximadamente 0,03% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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