Robson Bonin diz que pauta de Lula ‘parece estelionato eleitoral’ após adiamento

O adiamento da votação sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional gerou preocupação entre aliados de Luiz Inácio Lula da Silva. No VEJA em Foco, o colunista de VEJA Robson Bonin disse que a retirada do tema da pauta expõe a dificuldade do governo em transformar compromissos de campanha em medidas concretas.
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Bonin afirmou que Lula havia defendido a proposta durante a campanha eleitoral. “Parece estelionato eleitoral”, declarou o jornalista no programa apresentado por Marcela Rahal.
Davi Alcolumbre decidiu aguardar análise da Câmara
A discussão ganhou força depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deixou de levar à votação a proposta que prevê reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. Conforme explicado no programa, ele conversou com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e decidiu esperar a análise dos deputados.
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O debate ocorreu durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado sem a mudança na idade penal. Para Bonin, o adiamento cria um problema político para Lula, já que o presidente havia assumido o compromisso no segundo turno, quando disputava a eleição com Flávio Bolsonaro.
O colunista avaliou que Lula não demonstrou o mesmo empenho para fazer a proposta avançar no Congresso. “Esse assunto, na verdade, está angustiando muito a base aliada do presidente Lula”, disse.
Bonin critica falta de mobilização de Lula
Na avaliação do jornalista, a distância entre o compromisso eleitoral e a condução da discussão legislativa amplia o desgaste do governo. Ele atribuiu o adiamento a uma decisão política de integrantes da base governista.
“Se houvesse vontade política, esse assunto seria aprovado. Em Brasília, criam-se argumentos para tudo: para votar, para atrasar, para engavetar”, afirmou Bonin.
O colunista também criticou a falta de manifestações públicas de Lula em defesa da proposta e disse que o presidente não mobilizou senadores governistas. “Ele era tão defensor da agenda que, quando o Congresso começou a discutir, não se viu um discurso, nada que pudesse incentivar a base dos senadores”, declarou.
Governo terá de reorganizar negociações e entregar resultados
Para Bonin, a retirada da pauta não significa necessariamente que a proposta foi abandonada. O governo, segundo ele, precisará encontrar outra forma de retomar o debate, com mais tempo e atenção à maneira como o tema será apresentado à sociedade.
O impasse ocorre em meio à reorganização do governo após a reeleição de Lula. O presidente terá de lidar com mudanças no ministério, substituições de auxiliares e novas negociações com a base parlamentar.
Bonin afirmou que Lula não poderá usar, como no início do mandato em 2023, o argumento da reconstrução do país para justificar a demora nos resultados. “Agora não tem isso. Tem que começar a dar resultado a partir de já”, disse. O colunista concluiu que propostas apresentadas na campanha como simples de executar estão se mostrando mais difíceis do que o discurso eleitoral indicava.
Editoria:
Redação Política
A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



